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4 de dez. de 2008

Corrida e superação


*Gerson Vieira

O dia 23 de novembro passado marcou meu retorno aos circuitos de corrida. Animado pela propaganda realizada onde trabalho, participei da Maratona de Curitiba. Como não tinha preparação para corrida, optei pela caminhada de 5 km. Foi uma experiência gratificante porque além de conhecer pessoas legais e corredores profissionais, encontrei o editor da revista Contra Relógio, Tomaz Lourenço, gente boníssima que presenteou-me com a edição de setembro. Havíamos conversado por e-mail na semana anterior. Agora sou assinante da revista.
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No dia 30 participei da última etapa do Circuito de Corridas do SESC, foram mais 4 km no meio de gente alegre, alto astral, lá conheci o Vanderlei Cordeiro de Lima, aquele maratonista que perdeu a medalha de ouro em Atenas porque um maluco o derrubou na reta final, lembram? Vanderlei participa dos eventos do SESC, incentivando os jovens a fazerem esporte. Impressionante a participação das pessoas nas duas caminhadas em que participei. Tenho observado muita gente correndo e fazendo caminhadas em Curitiba.
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Entre esses eventos criei coragem e fiz a inscrição para a corrida de 10 km no dia 7 de dezembro, organizada pela Associação Procorrer. Mesmo sem saber se teria condições físicas, resolvi acreditar que seria possível terminar a prova. Meus treinos iniciaram na segunda-feira passada no Passeio Público, foi somente caminhada, na terça, alternei caminhada e corrida e quase desanimei. Pensei que não terminaria a prova de domingo naquelas condições físicas. Larguei a academia nessa última semana para me dedicar aos treinos. Ontem não fiz nada além de caminhar. Hoje cheguei ao Passeio Público por volta de 10 horas, respirei fundo e resolvi correr 10 voltas na pista de 1070 metros sem parar. Achei que não aguentaria. Para minha surpresa não só aguentei como terminei sem dores e sem estar ofegante.
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Consegui descobrir o ritmo ideal e conclui o treino em 1h7min33s, para um percurso de 10,7 km. O tempo foi alto se considerarmos a performance dos corredores profissionais mas, para mim, está ótimo. Com esse tempo eu sei que chegarei até o final da prova de domingo, inteiro, sem dores e câimbras. Minha meta é correr a Meia Maratona do Rio de Janeiro, em 2009. Eu falei para uma colega e ela riu de mim, tentei fazer uma aposta com ela mas acho que deve ter pensando que sou maluco para isso e não aceitou. Enfim, podemos superar nossas deficiências com dedicação e determinação. Isso serve para a vida. O que sobrar de mim, assistirá o jogo Grêmio x Atlético – MG, no Roxinho, onde a galera gremista se reúne para rir, chorar, xingar e vibrar! E, quem sabe, não recebo de presente um título de tri-campeão brasileiro?
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* Gerson Vieira – bancário, gremista, blogueiro, reside atualmente em Curitiba. Retoma às corridas após duas décadas.

9 de set. de 2008

Parque Caucaia, 06 de setembro de 2008, 12 horas.


Erick, Silo, Gerson e Marcos
Cúpula da Sala de Meditação



“Aprende a tratar aos demais da maneira que queres ser tratado.”
(Do livro “A mensagem de Silo”)





Faz muito tempo que não experimento uma sensação tão boa. Uma sensação de paz, tranquilidade e humanidade. A inauguração do parque Caucaia, em Cotia, São Paulo, foi um marco importante em minha vida e tenho certeza que o foi também na vida das pessoas que lá estavam. Na vida acontecem momentos que ficam registrados como marcas que o tempo não apaga e nesse final de semana esses momentos estiveram presentes. A companhia dos meus amigos de Curitiba e do meu filho nessa viagem, foram importantes para mim. Não esquecerei os momentos de confraternização, de troca, de descontração, de reflexão, alguns momentos tensos mas que foram superados, enfim, as fotos ilustram uma boa parte do que aconteceu lá.



O que buscava encontrei em Caucaia. Pessoas imbuídas de um imenso desejo de mudar o mundo, irmanados nessa utopia coletiva de que um mundo melhor, com paz e não-violência é possível sim. Pessoas que buscam através do auto-conhecimento, da reflexão, do respeito ao ser humano, esteja ele ao seu lado ou distante, uma nova forma de sociedade onde o ser humano seja mais importante.



A energia que pude sentir nos momentos de meditação mexeram com minha estrutura emocional e física, trazendo-me uma sensação de bem-estar que há muito tempo não experimentava. O diálogo aberto, franco e sincero com muitas das pessoas presentes me fizeram pensar, em determinados momentos, que as conhecia de muito tempo.


Caucaia é mais um espaço humanista para reflexão, aprendizado e também para buscarmos energia para o agir. Caucaia representou uma aproximação maior com meu filho e também com meu interior.


Paz, força e alegria para todos!

4 de abr. de 2008

As ruas da minha cidade

As ruas da minha cidade

Gerson Vieira (*)

Anos atrás conversava com o escritor canoense Henrique Freitas sobre as ruas da nossa cidade. Engraçado, as cidades mudam mas suas ruas permanecem as mesmas, talvez uma rara mudança no plano diretor. Pensamos nela (a cidade) e vamos recordando todos os anos que passamos por seus traços, cobertos de areião, pedras ou asfalto, mais recentemente.

Às vezes sabemos da rua pela placa indicativa, porque velhas casas foram reformadas, pintadas, aumentadas ou derrubadas para novas construções. Novos personagens habitam os dois lados, postes de madeira foram trocados por outros de cimento. Comércios surgem, cabelereiros, salões de beleza, mini-mercados, supermercados, shoppings, condomínios e estacionamentos. Mas, para nossa surpresa, lá encontramos o bar do “seu” João, a Padaria do Português, o salão do Baixinho, onde, quando criança, cortava o cabelo e ficava louco de medo imaginando perder a orelha num desviar da tesoura. As ruas da minha cidade não mudaram muito, novas foram acrescentadas por conta de lançamentos habitacionais, aumentando o trabalho dos vereadores na disputa pelo nome que as mesmas deverão ser batizadas. Visconde de Taunay, Coronel Vicente, Saldanha da Gama, a rua da extinta fábrica de móveis Estofados Esplêndidos, meu primeiro emprego, e que no auge, empregou cerca de 500 pessoas, quase todos moradores do bairro Harmonia.

A prefeitura de Canoas lançou dois volumes resgatando personagens que emprestaram seus nomes para as ruas nestes 68 anos de emancipação. Quando estava lendo as cartas de Visconde de Taunay, na Biblioteca Nacional, lembrei da rua com seu nome, poucos sabem quem foi esse personagem. Visconde de Taunay (Alfredo d’Escragnolle Taunay), engenheiro militar, professor, político, historiador, sociólogo, romancista e memorialista, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 22 de fevereiro de 1843, e faleceu também no Rio de Janeiro em 25 de janeiro de 1899. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Foi na busca de um parentesco longínquo que descobri um pouco desse homem, das suas preocupações. E as ruas estão aí para homenageá-los, muitos são esquecidos pela ingratidão e falta de memória dos moradores das cidades. Dias atrás estive em Leopoldina, lá residiu e faleceu o poeta Augusto dos Anjos, que foi diretor do Grupo Escolar da cidade mas poucas pessoas sabiam destes detalhes.

As ruas guardam lembranças, de pessoas, de fatos, de tragédias e de lutas, como a passeata dos cem mil, em 1968, no Rio de Janeiro que ocupou as ruas daquela cidade no maior protesto contra a ditadura militar até então.

Ao passar por uma rua de sua cidade, procure saber quem foi o personagem que foi homenageado e o porquê. Assim você poderá conhecer melhor onde mora e resgatar, histórias e lembranças que não fazem parte dos livros mas são guardadas na memória de transeuntes e talvez nunca sejam registradas para a posteridade.

(*) Sobre Gerson Vieira

Nasceu em Canoas, RS, reside atualmente no Rio de Janeiro. Formado em Ciências Contábeis pela Ulbra - Universidade Luterana do Brasil. Membro da Casa do Poeta de Canoas e da ACE - Associação Canoense de Escritores. Publicou várias crônicas no jornal Diário de Canoas. Participou das duas coletâneas da Casa do Poeta de Canoas (2003 / 2005).