25 de out. de 2010


Livros e Ideias


Quem tem medo de literatura?


'As palavras insistem em pular pelo meu corpo. Ficam impregnadas nos ouvidos, deixam cheiro forte nas narinas, ardem dentro das artérias'






Primeira página de Ulisses

Pode até soar estranho eu, uma estudante de Estudos Literários, admitindo isso aqui: morro de medo de literatura. Sim, literatura assusta. E me assusta um pouco além do seu potencial-assustador porque eu definitivamente não faço parte daquelas pessoas que terminam de ler, fecham seus devidos livros e conseguem uma boa noite de sono. Muito pelo contrário, livro pra mim é cafeína na veia, quando levado pra cama, adeus, querido sono. As palavras insistem em pular pelo meu corpo. Ficam impregnadas nos ouvidos, deixam cheiro forte nas narinas, ardem dentro das artérias.

O fato é que literatura dá um medo gigante. Digo isso por um motivo. Estou lendo Ulisses, de James Joyce. Um dos livros mais conhecidos a aclamados da literatura moderna, mas que pouca gente leu. Segundo meu professor de Teoria Literária, Henrique Ávila, um senhor simpático que já deve caminhar pela casa dos 80, as pessoas mais falam de Ulisses do que realmente o leem. E é, acho que isso é verdade, porque cá estou, falando de um livro que me encontro na página 16. Dezesseis.

Como falar de um livro do qual se leu até a página 16? Obviamente isso é tarefa impossível. A questão é que não tenho pretensões de falar do enredo, estruturas narrativas, diegese, discurso e tudo mais. Quero falar de uma coisa simples: a literatura forçada.

Está pra existir uma coisa nesse mundo mais ridícula do que a literatura que é empurrada goela a baixo. Não gosto. Nunca gostei. Quando estava no colegial, invertia a ordem dos livros lidos só para não ler quando o professor pedia. Então quando ele pedia Eça de Queirós, eu lia Machado de Assis. E quando ele pedia Machado de Assis... bem, eu não lia Eça de Queirós, porque eu não gosto, nem nunca gostei. Mas essa é a lógica.

Voltando ao Ulisses... Preciso lê-lo. E o verbo precisar se refere a duas coisas: preciso lê-lo porque é um livro importantíssimo e um marco na literatura universal (e também porque dizem que todo escritor deve ler, e como quero ser escritora, também pretendo passar 16 de junho de 1904 em Dublin — que é quando e onde acontece a ação de Ulisses) e preciso lê-lo porque me foi mandado. Exatamente. Mandado. Acho tão engraçado você ser obrigada a ler um livro de exatamente 852 páginas, de James Joyce, um dos maiores gênios da literatura de todos os tempos. Não faz sentido na minha cabeça. Acho sempre que a leitura deveria ser sugerida e não imposta. Mesmo porque enquadrar um épico moderno desse tamanho (nos dois sentidos da palavra) dentro de moldes da narrativa literária, em que pouco se tem controle e profundidade em um curso de graduação em Letras, é uma tarefa um tanto quanto... equivocada.

Eu tenho medo de James Joyce. Eu tenho medo de Ulisses. Tenho medo porque não conheço, mas — principalmente — porque ainda não me acho preparada para conhecer. Queria poder passear pelos clássicos dentro do meu tempo. Ulisses não pode crescer em mim enquanto eu ainda não puder receber Ulisses nua de limitações. E tenho a impressão de que se os professores do nosso país tivessem isso em mente, teríamos um Brasil de mais leitores.

Fonte: Layse Morais, Capitu - Literatura e Cultura, 18/07/2010.

25 de set. de 2010

Eu apoio o Nelsinho para Deputado Estadual no RS


*
Eu apoio o Nelsinho por sua profunda identificação com os movimentos sociais e culturais de nosso RS.
*
Gerson Vieira
Poeta e cronista
Membro da Casa do Poeta de Canoas

19 de set. de 2010

Humanistas homenageiam Silo em sua partida


Fotos: 1- Ehrick, Silo, Gerson e Marcos / 2- Silo


El Movimiento por la Paz, la Soberanía y la Solidaridad entre los Pueblos (Mopassol) expresa su pesar por el fallecimiento del pensador Mario Luis Rodríguez Cobos (Silo) , fundador del "Nuevo Humanismo" cuya contribución a la causa de la vida sobre la tierra, a la lucha contra las armas nucleares y a la defensa de la paz es hoy reconocida por millones de personas en el mundo entero. Expresamos nuestras sinceras condolencias a los apreciados compañeros y compañeras del Partido Humanista en la Argentina y en particular a nuestro querido compañero y amigo Jorge D'Alesio, miembro de la Mesa Directiva del Mopassol, con quienes hemos tenido ocasión de compartir valiosas jornadas militantes durante la reciente Marcha Mundial por la Paz inspirada en los ideales de Silo.

Por la Mesa Directiva del Mopassol.
Rina Bertaccini y Stella Calloni

Buenos Aires, 18 de septiembre de 2010

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sábado 18 de setembro de 2010, por Ana Facundes

O escritor e pensador Mario Luis Rodríguez Cobos, mais conhecido como Silo, fundador do Movimento Humanista, morreu na noite desta quinta-feira (16), aos 72 anos em sua casa, em Mendoza, Argentina.

Silo enfrentava há mais de um ano uma insuficiência renal e havia decidido não fazer transplante, nem hemodiálise ou dieta. Segundo Tomás Hirsch, seu amigo há décadas e ex-candidato à presidência do Chile,“ele faleceu como alguém que não apenas não acreditava na morte, mas sobretudo considerava a vida como parte de uma transcendência”.

A Comunidade para o Desenvolvimento Humano, a Convergência das Culturas, o Centro Mundial de Estudos Humanistas, o Partido Humanista e o Mundo sem Guerras e sem Violência são organizações, entre outras frentes de ação, inspiradas pelo Humanismo Universalista, corrente de pensamento fundada por Silo e que convoca à luta contra toda forma de violência e discriminação, indicando a necessidade de uma transformação social e pessoal simultâneas baseadas na coerência e na solidariedade.

Sua primeira aparição pública aconteceu em 4 de maio de 1969, com a arenga "A Cura do Sofrimento", em que lançou as bases para a formação do Movimento Humanista, em plena ditadura militar na Argentina.

Com a notícia de seu falecimento, em pouco tempo, os humanistas se reuniam nos Parques de Estudo Reflexão – projeto lançado por Silo em 2002. Em países tão diferentes quanto Filipinas, Moçambique, Brasil, Alemanha, Bolívia, México, Espanha, Itália, Índia, Chile, Colômbia, Hungria e Estados Unidos, os ativistas se reuniram nesses espaços dedicados ao estudo, ao autoconhecimento e à não-violência para celebrar a vida de um homem cujas ações transcendem esse espaço e esse tempo.

Sua última aparição pública ocorreu no encerramento da Marcha Mundial pela Paz e Não-Violência, que partiu da Nova Zelândia, em 2 de outubro de 2009 e terminou em Punta de Vacas, Mendoza, Argentina, em 2 de janeiro de 2010. Essa ação inspirada por Silo transformou-se em uma grande mobilização planetária para exigir o desarmamento nuclear mundial, o fim das guerras, a retirada das tropas invasoras dos territórios ocupados, além de criar consciência sobre os diversos tipos de violência exercidos pelo sistema e a violência interna que precisa ser desarmada em cada um através do compromisso com a não-violência.

Sua obra inclui os títulos O Olhar Interior (1980), A Paisagem Interna (1981), Humanizar a Terra (1989), Experiências Guiadas (1989), Contribuições ao Pensamento (1991), Mitos, Raízes Universais (1991), Cartas a meus Amigos (1993), O Dia do Leão Alado (1993), Dicionário do Novo Humanismo (1996), Fala Silo (1996), Apontamentos de Psicologia (2006). Todos os livros estão disponíveis para download integral em diversos idiomas no site abaixo.

NOTA DO BLOGUEIRO:

Conheci Silo em 2008, na cidade de Cotia-SP, no Parque de Estudo e Reflexão de Caucaia. Foi meu contato inesquecível com este humanista e seu amigo Tomás Hirsch (ex-candidato à presidência do Chile). Em breve mais considerações sobre Silo e o Movimento Humanista Internacional.

Paz, força e alegria, onde estiveres Silo!

21 de ago. de 2010

Raul Seixas - Já se vão 21 anos


Raul Santos Seixas (Salvador, 28 de junho de 1945 — São Paulo, 21 de agosto de 1989) foi um cantor, compositor, produtor e músico brasileiro.

Filho do engenheiro Raul Varella Seixas e da dona de casa Maria Eugênia Santos Seixas, Raul nasceu e cresceu na cidade de Salvador. Tinha um irmão, quatro anos mais novo, Plínio Seixas. Em casa, mergulhava nos livros que tinha à disposição, na biblioteca do pai.

Início
Seu gosto musical foi se moldando: primeiro, no rádio, acompanha o sucesso de Luiz Gonzaga, e nas viagens, onde acompanha o pai, ouve os matutos desfiarem repentes - e esta "raiz" nordestina nunca o abandonara. Porém, logo Raulzito (como era chamado em família) conheceu um estilo que influenciou muito sua vida: o Rock'n Roll. Teve contato com o Rock através do consulado norte-americano, que ficava próximo de sua casa. A partir daí, foram muitas horas diárias na loja "Cantinho da Música", ouvindo discos de rock e várias sessões nos cinemas, onde passou a apreciar as performances de Elvis Presley, de quem torna-se fã. Tão fã que assistiu vinte e oito vezes ao filme "O Prisioneiro do Rock" e chegou a fundar o "Elvis Presley Fã-Clube de Salvador".[1] Sempre gostou também de clássicos do rock dos anos 50 e 60.

Juntamente com alguns amigos de Salvador, monta um conjunto, "Os Relâmpagos do Rock"[2], a primeira banda de Salvador a utilizar instrumentos elétricos.[carece de fontes?] Mais tarde, a banda muda de nome, passa a se chamar "The Panters"[2], e por último "Raulzito e os Panteras". Fazem shows pelo estado em bailes e festinhas e até mesmo para um público de duas mil pessoas no Festival da Juventude. Mas o sucesso da banda não ultrapassava o eixo baiano, fato que aborrecia Raul.[carece de fontes?] A decepção com o mundo artístico foi reforçada pelo namoro com a americana Edith Wisner. A pedidos do pai da garota - que era pastor protestante - Raul abandona a carreira musical.[3] Algum tempo depois casa-se com Edith e passa a lecionar inglês e violão para ganhar a vida.

Em 1967, Jerry Adriani vai a Salvador realizar um show no Iate Club da Bahia, mas alguns de seus músicos foram barrados por serem negros. A título de urgência Os Panteras foram indicados para suprir a falta. Raul Seixas impressiona Jerry que o convida para acompanhá-lo numa turnê pelo Rio de Janeiro pedido este que Raul Seixas aceita de imediato. E lá ele grava um disco pela gravadora Odeon. Todavia, o disco não emplacou. O guitarrista Mariano Lanat deixa a banda e retorna a Salvador. Plínio Seixas, irmão de Raul, o substituiu, mas a banda estava mesmo com os dias contados no Rio e logo todos estavam desapontados de volta a Salvador.

Fase difícil na vida de Raul, que passava horas trancado no quarto lendo e escrevendo. Edith dava aulas de inglês para o sustento do casal.

Em 1970 Raul foi convidado por Evandro Ribeiro para ser produtor da CBS (atual Sony BMG), voltando então a morar no Rio de Janeiro com Edith. Na CBS participa da produção de diversos artistas da Jovem Guarda, como o amigo Jerry Adriani, Leno e Lilian e mais tarde Sérgio Sampaio, Diana, entre outros. Também compõe sessenta canções para a Jovem Guarda e Pós-Jovem Guarda.[4]. Uma das músicas que fizeram mais sucesso nesta fase, foram Ainda Queima a Esperança na voz de Diana, e Doce Doce Amor na voz de Jerry Adriani[4].

Em 1971, Raul acaba se rebelando. Aproveitando a ausência do presidente da empresa, grava seu segundo LP (intitulado Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10), em que faz parceria com Sérgio Sampaio, Miriam Batucada e Edy Star. O disco, todavia, foi retirado do mercado sob o argumento de não se enquadrar à linha de atuação da gravadora. Raul permaneceu ainda algum tempo na CBS após isso, mas insatisfeito por não estar cantando, pediu demissão.

Em 1972, participou do VII FIC (Festival Internacional da Canção), promovido pela Rede Globo, e conseguiu a classificação de duas músicas, "Let Me Sing, Let Me Sing" (um misto de baião e rockabilly)[5] e "Eu Sou Eu Nicuri é o Diabo". Devido à façanha, assinou com a gravadora Philips (atual Universal Music) para gravar o álbum Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock, que não tinha o seu nome na capa.

[editar] Auge e queda
No início dos anos 1970, Raul se interessou por um artigo sobre extraterrestres publicado na revista A Pomba e teve o seu primeiro contato com o escritor Paulo Coelho, que mais tarde, se tornaria seu parceiro musical.[3]

No ano de 1973, Raul conseguiu um grande sucesso com a música "Ouro de Tolo" no álbum Krig-Ha, Bandolo, uma música com letra quase autobiográfica, mas que debocha da Ditadura e do "Milagre Econômico".

O mesmo LP também continha outras músicas que se tornaram grandes sucessos, como: "Metamorfose Ambulante, "Mosca na Sopa" e Al Capone.

Raul Seixas finalmente alcançou grande repercussão nacional como uma grande promessa de um novo compositor e cantor.[carece de fontes?] Porém, logo a imprensa e os fãs da época foram aos poucos percebendo que Raul não era apenas um cantor e compositor.

No ano de 1974, Raul Seixas e Paulo Coelho criam a Sociedade Alternativa, uma sociedade baseada nos preceitos do bruxo inglês Aleister Crowley, onde a principal lei é "Faze o que tu queres, há de ser tudo da Lei". Em todos os seus shows, Raul divulgava a Sociedade Alternativa com a música de mesmo nome. A Ditadura, então, através do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) prendeu Raul e Paulo, pensando que a Sociedade Alternativa fosse um movimento armado contra o governo. Depois de torturados, Raul e Paulo foram exilados para os Estados Unidos onde Raul Seixas teria supostamente se encontrado com John Lennon.[2] No entanto, o seu LP Gita gravado poucos meses antes faz tanto sucesso com a música "Gita", que a Ditadura achou melhor trazer os dois de volta ao Brasil para não levantar suspeitas sobre seus desaparecimentos.[carece de fontes?] O álbum Gita rendeu a Raul um disco de ouro, após vender 600.000 cópias. Ainda neste ano, Raul separa-se de Edith, que vai para os Estados Unidos com a filha do casal, Simone.

Em 1975, casa-se com Gloria Vaquer, e grava o LP Novo Aeon, onde Raul compôs uma de suas músicas mais conhecidas, "Tente Outra Vez". O LP, porém, vendeu menos de 60 mil cópias.

Em 1976, Raul supera a má-vendagem do disco anterior com o disco Há Dez Mil Anos Atrás. Neste mesmo ano, nasce sua segunda filha, Scarlet.

Naquele final de década as coisas começaram a ficar ruins para Raul. A parceria com Paulo Coelho é desfeita. O cantor lança três discos pela WEA (hoje Warner Music Brasil), a partir de 1977, que fizeram sucesso de público e desgosto na crítica (O Dia Em Que A Terra Parou, que continha canções como "Maluco Beleza" e "Sapato 36"; Mata Virgem, em 1978 e Por Quem Os Sinos Dobram, em 1979). Por volta deste período, intensifica-se a parceria com o amigo Cláudio Roberto Andrade de Azevedo (geralmente creditado como Cláudio Roberto), com quem Raul compôs várias de suas canções mais conhecidas.

A partir do ano de 1978, começa a ter problemas de saúde devido ao consumo de álcool, que lhe causa a perda de 1/3 do pâncreas.[carece de fontes?] Separa-se de Glória, que vai embora para os EUA levando a filha Scarlet. Neste ano, conhece Tania Menna Barreto, com quem passa a viver.

No ano de 1979, separa-se de Tania. Começa então a depressão de Raul Seixas junto com uma internação para tratar do alcoolismo. Conhece Angela Affonso Costa, a Kika Seixas, sua quarta companheira.

[editar] Altos e baixos
No ano de 1980, assina novamente contrato com a CBS (desta vez como cantor) lançando mais um álbum, Abre-te Sésamo, que contém outros sucessos e têm as faixas "Rock das 'Aranha'" e "Aluga-se" censuradas. Logo depois o contrato é rescindido.

Em 1981 nasce a terceira filha, Vivian, fruto de seu casamento com Kika.

Em 1982 faz um show na praia do Gonzaga, em Santos, reunindo mais de 150 mil pessoas. No mesmo ano, Raul apresenta-se bêbado em Caieiras, São Paulo, e é quase linchado pela platéia que não acredita que Raul é o próprio, mas um impostor.[1]

Desde 1980 Raul estava sem gravadora e agora também sem perspectiva de um novo contrato. Mergulhado na depressão, Raul afunda-se nas drogas. Porém, em 1983, Raul é convidado para gravar um disco pelo Estúdio Eldorado. Logo depois, Raul é convidado para gravar o especial infantil Plunct, Plact, Zuuum da Rede Globo, onde canta a música "Carimbador Maluco". O álbum Raul Seixas (1983), que continha a canção, dá à Raul mais um disco de ouro. Em 1984 grava o LP "Metrô Linha 743" pela gravadora Som Livre. Mas depois Raul teve as portas fechadas novamente, devido ao seu consumo excessivo de álcool e constantes internações para desintoxicação. Também em 1984 a Eldorado lança o disco Ao Vivo - Único e Exclusivo.

Em 1985, separa-se de Kika Seixas. Faz um show em 1 de dezembro 1985, no Estádio Lauro Gomes, na cidade de São Caetano do Sul. Só voltaria a pisar no palco no ano de 1988, ao lado de Marcelo Nova.

Conseguindo um contrato com a gravadora Copacabana, em 1986 (de propriedade da EMI), grava um disco que foi lançado somente no ano seguinte, devido ao alcoolismo de Raul. O disco Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! faz grande sucesso entre os fãs, chegando a ganhar disco de ouro e estando presente até em programas de televisão, como o Fantástico. Nesta época, conhece Lena Coutinho, que se torna sua companheira. A partir desse ano, estreita relações com Marcelo Nova (fazendo uma participação no disco Duplo Sentido, da banda Camisa de Vênus).

Um ano mais tarde, 1988, já separado de Lena, faz seu último álbum solo, A Pedra do Gênesis.

A convite de Marcelo Nova, faz alguns shows em Salvador, após três anos sem pisar num palco.

No ano de 1989, faz uma turnê com Marcelo Nova, agora parceiro musical, totalizando 50 apresentações pelo Brasil. Durante os shows, Raul mostra-se debilitado. Tanto que só participa de metade do show, a primeira metade é feita somente por Marcelo Nova.

[editar] "Canto Para Minha Morte"

Universo Alternativo - fantasia sobre o "Profeta" Raul Seixas.As 50 apresentações pelo Brasil resultaram naquele que seria o último disco lançado em vida por Raul Seixas. O disco foi intitulado de A Panela do Diabo, que foi lançado pela Warner Music Brasil no dia 19 de agosto de 1989.

Dois dias depois, na manhã do dia 21 de agosto de 1989, Raul Seixas foi encontrado morto sobre a cama pela sua empregada Dalva, por volta das oito horas da manhã, vítima de uma parada cardíaca: seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético, e por não ter tomado insulina na noite anterior, causaram-lhe uma pancreatite aguda fulminante. O LP A Panela do Diabo vendeu 150.000 cópias, rendendo a Raul um disco de ouro póstumo, entregue à sua família e também a Marcelo Nova, tornando-se assim um dos discos de maior sucesso de sua carreira.

Depois de sua morte, Raul permaneceu entre as paradas de sucesso. Foram produzidos vários álbuns póstumos, como O Baú do Raul (1992), Raul Vivo (1993 - Eldorado), Se o Rádio não Toca... (1994 - Eldorado) e Documento (1998). Inúmeras coletâneas também foram lançadas, como Os Grandes Sucessos de Raul Seixas de (1993), a grande maioria sem novidades, mas algumas com músicas inéditas como As Profecias (com uma versão ao vivo de "Rock das Aranhas") de 1991 e Anarkilópolis (com "Cowboy Fora da Lei Nº2") de 2003. Sua penúltima mulher, Kika, já produziu um livro do cantor (O Baú do Raul), baseado em escritos dos diários de Raul Seixas desde os seis anos de idade até a sua morte.

Em 2004, o canal a cabo Multishow promoveu um show especial de tributo a Raul, intitulado O Baú do Raul: Uma Homenagem a Raul Seixas. O show, gravado na Fundição Progresso (Rio de Janeiro) e lançado em CD e DVD, contou com artistas como Toni Garrido, CPM 22, Marcelo D2, Gabriel o Pensador, Arnaldo Brandão, Raimundos, Nasi, Caetano Veloso, Pitty e Marcelo Nova (os três últimos baianos, como Raul).

Mesmo depois de sua morte, Raul Seixas continua fazendo sucesso entre novas gerações. Vinte anos depois de sua morte, o produtor musical Mazzola, amigo pessoal de Raul, divulgou a canção inédita "Gospel", censurada na década de 1970. A canção foi incluída na trilha sonora da telenovela Viver a Vida, da Rede Globo.

Álbuns de estúdio
1968 - Raulzito e os Panteras
1971 - Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 (Com Sérgio Sampaio, Míriam Batucada e Edy Star)
1973 - Krig-Ha, Bandolo!
1973 - Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock
1974 - Gita
1974 - O Rebu (Trilha sonora da novela de mesmo nome - contém músicas inéditas até então)
1975 - 20 Anos de Rock (Reedição de Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock)
1975 - Novo Aeon
1976 - Há 10 Mil Anos Atrás
1977 - O Dia Em Que a Terra Parou
1977 - Raul Rock Seixas
1978 - Mata Virgem
1979 - Por Quem Os Sinos Dobram
1980 - Abre-te Sésamo
1983 - Raul Seixas
1984 - Metrô Linha 743
1985 - 30 Anos de Rock (Reedição de Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock)
1985 - Let Me Sing My Rock And Roll (Coletânea lançada em tiragem limitada somente em LP)
1986 - Raul Rock Seixas Volume 2 (Coletânea com faixas inéditas)
1987 - Caroço de Manga (Reedição de Let Me Sing My Rock And Roll lançado em LP e CD)
1987 - Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!
1988 - A Pedra do Gênesis
1989 - A Panela do Diabo (Com Marcelo Nova)
[editar] Álbuns póstumos
1992 - O Baú do Raul
1998 - Documento
2005 - O Baú do Raul Revirado (CD com raridades vendido somente com o livro de mesmo nome)
2009 - 20 Anos sem Raul Seixas (Reedição de Documento com uma faixa inédita extra)
[editar] Coletâneas
1981 - O Melhor De Raul Seixas
1982 - A arte de Raul Seixas
1983 - O Pacote Fechado de Raul Seixas
1985 - Let Me Sing My Rock And Roll
1985 - Raul Seixas Rock
1986 - Caminhos
1986 - Raul Rock Seixas Volume 2
1987 - Caroço de Manga
1988 - Metamorfose Ambulante
1988 - O Segredo do Universo
1988 - Raul Seixas Para Sempre
1990 - Maluco Beleza
1991 - As Profecias (Contém uma faixa inédita)
1993 - Os Grandes Sucessos de Raul Seixas
1994 - Minha História
1995 - Geração Pop Vol.2: Raul Seixas
1996 - MPB Compositores 4: Raul Seixas
1998 - 20 Grandes Sucessos de Raul Seixas
1998 - Preferência Nacional
1998 - Música! O Melhor da Música de Raul Seixas
1999 - Millennium: Raul Seixas
2000 - Areia da Ampulheta
2000 - Enciclopedia Musical Brasileira
2001 - Warner 25 Anos: Raul Seixas
2002 - Série Identidade: Raul Seixas
2002 - Série Gold: Raul Seixas
2003 - Anarkilópolis (Contém uma faixa inédita)
2003 - Os Melhores do Maluco Beleza
2004 - Essential Brasil: Raul Seixas
2005 - Novo Millennium: Raul Seixas
2005 - Série Bis: Raul Seixas
2006 - Warner 30 Anos: Raul Seixas
2008 - Sem Limite: Raul Seixas
[editar] Álbuns ao vivo
1984 - Ao Vivo - Único e Exclusivo
1991 - Eu, Raul Seixas (Show na Praia do Gonzaga, Santos, 1982)
1993 - Raul Vivo (Reedição de Ao Vivo - Único e Exclusivo com faixas extras)
1994 - Se o Rádio Não Toca... (Show em Brasília, 1974)
[editar] Singles póstumos
1993 - A Maçã / Como Vovó Já Dizia / Sociedade Alternativa / Gita (CD - Philips)
1993 - Jay Vaquer Featuring Raul Seixas - Mosca na Sopa / 72 en 92 (CD - Girl/USA)
1998 - Morning Train (Promo - CD - MZA/Polygram)
1998 - É Fim de Mês (Promo - CD - MZA/Polygram)
[editar] Caixas
1995 - Série Grandes Nomes: Raul (Caixa com 4 CDs e livreto ilustrado)
2002 - Maluco Beleza (Caixa com 6 CDs e livro ilustrado)
2009 - 10.000 Anos à Frente (Reedição da caixa Maluco Beleza)
[editar] Trilhas sonoras
1973 - A Volta de Beto Rockfeller
1973 - Rosa dos Ventos
1974 - O Rebu
1983 - Plunct, Plact, Zuuum
1984 - Plunct, Plact, Zuuum II
2002 - Cidade de Deus
2009 - Viver a Vida
[editar] Tributos
2004 - O Baú do Raul: Uma Homenagem a Raul Seixas
[editar] Outros álbuns
1972 - Carnaval Chegou (Coletânea com vários artistas. Raul canta a faixa Eterno Carnaval)
1973 - Phono 73 O Canto de um Povo - Volume 1 (LP gravado ao vivo em 1973 com vários artistas da gravadora Philips. Raul aparece com a música Loteria de Babilônia)
1975 - Hollywood Rock (Falso álbum ao vivo, lançado somente em LP, e dividido com Erasmo Carlos, O Peso e Rita Lee)
1979 - O Banquete dos Mendigos (LP duplo gravado ao vivo em 1973 com vários artistas. Raul aparece com a faixa Cachorro - Urubu)
1987 - Duplo Sentido (LP duplo da banda baiana Camisa de Vênus no qual Raul canta na faixa Muita Estrela, Pouca Constelação)
1995 - Vida e obra de Johnny McCartney - Álbum do cantor e compositor Leno, gravado (e censurado) em 1971. Raulzito (Raul Seixas) participa na produção, composições e vocais.

Fonte: Wikipedia

NOTA: Eu era fã do Maluco Beleza! Sem comentários!

18 de jun. de 2010

Perdemos a língua de Saramago


Ao entrar no twitter, hoje logo após o almoço, me deparo com um tweet comentando que Saramago havia falecido essa manhã. Meu primeiro pensamento foi: COMO ASSIM? É BRINCADEIRA, NÉ?! E não era...

Todos os sites de notícias afirmando: O escritor português José Saramago morreu na manhã de sexta-feira (18), aos 87 anos, vítima de múltipla falência dos órgãos. De acordo com um comunicado emitido pela família do escritor, a morte ocorreu devido a complicações de uma doença que acometia Saramago. O escritor faleceu ao lado da família, em sua residência.

José de Sousa Saramago nasceu em 16 de novembro de 1922. Foi escritor, argumentista, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta português. Ganhou o prêmio Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da Língua Portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efectivo reconhecimento internacional da prosa em Língua Portuguesa.

Para quem não o conhece bem, vale lembrar que o seu livro Ensaio Sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, dirigido por Fernando Meirelles. Saramago era muito conhecido pelo seu ateísmo e iberismo, foi membro do Partido Comunista Português e foi diretor do Diário de Notícias. Era casado com a espanhola Pilar del Río, e viviam na ilha espanhola de Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

Uma frase dele que nunca irei esquecer: "Não há uma língua Portuguesa, há línguas em português", dita por ele durante o documentário Língua: vidas em português. "... quanto mais palavras conhecemos mais podemos dizer o que pensamos e sentimos..." essa bela frase também foi dita por Saramago, mostrando o imenso valor que a língua tem, e a extrema necessidade do ser humano de aprender mais e mais, para que tenha maior poder expressivo em sua vida.

A carreira de Saramago tem sido acompanhada de diversas polêmicas. As suas opiniões pessoais sobre religião ou sobre a luta internacional contra o terrorismo são discutidas e algumas resultam mesmo em acusações de diversos quadrantes. Na sua passagem por Roma em 14 de outubro de 2009, por exemplo, Saramago chamou Joseph Alois Ratzinger, atualmente conhecido como Papa Bento XVI, de "cínico", dizendo que a "insolência reaccionária" da Igreja Católica precisa ser combatida com a "insolência da inteligência viva".

Após ter enfrentado forte perseguição religiosa com o lançamento do livro "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" em 1991, o que culminou com a sua mudança de Portugal para a Espanha pouco depois, o lançamento de Caim em 2009, mesmo em pleno século XXI, voltou a render-lhe mais perseguição religiosa. Saramago sofreu perseguição tanto por parte de membros da Igreja Católica, quanto de católicos.

Para saber mais sobre a vida e obra do grande escritor José Saramago, acesse sua página oficial: http://www.josesaramago.org/.


E fica aqui uma homenagem a ele. #SaramagoRIP


Fonte: Blog Litteratus - http://www.bahdigital.com.br/