10 de mar de 2009

Teresa Cristina - uma revelação!

Considerada uma das mais novas revelações do samba carioca apresentou-se com a Velha Guarda da Portela, além de Elton Medeiros, Moacyr Luz, Pedro Amorim e outros músicos de expressão.

A partir de 1999, passou a integrar o Grupo Semente (Bernardo Dantas - Violão, Pedro Miranda - Pandeiro e voz, Ricardo Cotrim - Surdo e João Callado - Cavaquinho), com o qual realizava uma roda de samba, todos os sábados, no Bar Semente, na Lapa. O cavaquinista do grupo, João Callado, é filho da atriz Tessy Callado e neto do escritor, acadêmico e jornalista Antonio Callado.

Integrando o grupo Semente, participou do projeto "Puxando conversa", da TV Maxambomba, da Zona Oeste do Rio de Janeiro, acompanhando Jair do Cavaquinho, Argemiro da Portela e Tia Surica.

Em 2000, o grupo Semente apresentou-se no concorrido show de aniversário do político carioca (vereador) Eliomar Coelho, no Teatro Rival, com grandes nomes do samba, como Guilherme de Brito, Xangô da Mangueira, Nelson Sargento, Wilson Moreira e outros mais. Neste mesmo ano, ainda fazendo parte do grupo, iniciou o projeto "Roda de samba" na Sala Funarte, no qual o grupo tocava todas as quintas, cada semana com um convidado diferente, como Argemiro da Portela, Tia Surica, Tantinho, Xangô da Mangueira, entre outros. Ainda em 2000, Ernesto Pires interpretou de sua autoria "Samba do esquecimento" (c/ João Pimentel e Marceu Vieira) no CD "Novos quilombos", lançado pela gravadora Rob Digital.

Como compositora, é parceira de Argemiro da Portela, com quem tem algumas músicas inéditas.Em 2002, participou do CD "Argemiro do Patrocínio", lançado pelo selo Phonomotor, disco no qual interpretou em dueto com Argemiro "Amém", parceria de ambos, participando também, ao lado de Marisa Monte, do lançamento do disco no Teatro Clara Nunes, no Rio de Janeiro. Ainda em 2002, participou ao lado de Roberto Silva, Pedro Miranda, Mariana Bernardes, Pedro Aragão e Pedro Paulo do disco "O samba é minha nobreza", lançado pelo selo Biscoito Fino. Neste mesmo ano, pela gravadora Deck Disc, lançou um disco duplo sobre a obra de Paulinho da Viola: "A música de Paulinho da Viola". No CD, em dueto com Paulinho da Viola interpretou "Depois de tanto amor" (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho). Também participaram do álbum duplo: Conjunto Época de Ouro ('Samba do amor'); Velha-Guarda da Portela ('Perdoa' e 'Pode guardar as panelas') e Elton Medeiros em "Tudo se transformou". Ainda neste disco foram incluídas "Coisas banais" parceria de Paulinho da Viola e Candeia; "Mais que a lei da gravidade" e "Coração imprudente", ambas parcerias de Paulinho com o poeta Capinam; e ainda, "Moemá, morenou", "Choro negro", "Responsabilidade" e "Argumento", entre muitas outras. O disco, que praticamente a projetou para o grande público, a mídia e boa parte dos críticos, contou com a produção musical e arranjo de Paulão Sete Cordas, sendo lançado neste mesmo ano em show no Teatro Leblon e no Teatro Rival BR.

Em 2003, ao lado de Argemiro Patrocínio, Seu Jair do Cavaquinho e Grupo Semente, apresentou-se no Centro Cultural Carioca, na Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. Neste mesmo ano, ao lado de Zé Renato, Elton Medeiros e Dona Ivone Lara, apresentou-se na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro e fez o lançamento do CD "A música de Paulinho da Viola", no Sesc Pompéia, em São Paulo. Ainda em 2003, participou do show "Samba de Jorge/Festa em Homenagem a São Jorge", no Centro Cultural Carioca e ao lado de Paulinho da Viola, Eliane Faria, Época de Ouro e Velha-Guarda da Portela, participou da festa de lançamento do filme "Paulinho da Viola - Meu Tempo é Hoje" (dirigido por Izabel Jaguaribe) no Teatro Rival BR, no Rio de Janeiro. Neste mesmo ano com Dona Ivone Lara, Wilson Moreira, Elton Medeiros, Cristina Buarque, Monarco, Velha Guarda da Portela, Elza Soares, Renato Braz, Mar'tnália, Cristina Buarque, Nilze Carvalho, Seu Jorge e Walter Alfaiate, entre outros, participou do CD "Um ser de luz - saudação à Clara Nunes", lançado pela gravadora Deck Disc, no qual interpretou a faixa "As forças da natureza", de autoria de João Nogueira e Paulo César Pinheiro. Participou do primeiro CD do Grupo Tira Poeira, interpretando "Folhas secas", de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Ainda em 2003 ganhou o "Prêmio Rival BR", o "Prêmio TIM de Música", como cantora-revelação, e a indicação ao Grammy Latino de melhor disco de samba.

Em 2004 interpretou em dueto com Pedro Miranda "Marcha das flores", parceria de ambos, no CD "Sabe lá o que é isso?", do grupo carioca Cordão do Boitatá. Participou do disco "Surica", no qual fez dueto com a pastora da Velha-Guarda da Portela na faixa "Cafofo da Surica", de sua autoria. Lançou neste mesmo ano o segundo disco solo de carreira, "A vida me fez assim", no qual interpretou de sua autoria "Lavoura" (c/ Pedro Amorim), "Portela" (c/ Pedro Miranda), "O passar dos anos" (c/ João Callado) e a faixa-título "A vida me fez assim", em parceria com Argemiro da Portela. No disco também foram incluídas "Calo de estimação" (Zé da Zilda e Zé Thadeu), "Quantas lágrimas (Manacéia) e "Já era" de Mauro Duarte. Ainda em 2004 participou do DVD "Beth Carvalho - A madrinha do samba" gravado ao vivo em show no Canecão, no qual interpretou em dueto com a anfitriã "Argumento", de Paulinho da Viola.

Em 2005 participou do documentário "Brasileirinho", do cineasta finlandês Mika Kaurismaki, radicado no Rio de Janeiro desde o início da década de 1990. Do documentário sobre o gênero 'choro' também fizeram parte Elza Soares, Yamandu Costa e Paulo Moura, entre outros. O filme foi lançado no "Fórum Internacional do Novo Cinema", uma das mostras paralelas do "Festival de Berlim", na Alemanha. Neste mesmo ano gravou em maio o primeiro CD e DVD ao vivo no Teatro Municipal de Niterói, intitulado "O mundo é meu lugar". O trabalho trouxe versões novas para alguns de seus sucessos e ainda a revisão de músicas muito conhecidas, entre as quais "Pra que discutir com madame" (Haroldo Barbosa e Janet de Almeida), "Coração leviano" (Paulinho da Viola), "Onde a dor não tem razão" (Paulinho da Viola e Elton Medeiros), "Cem mil réis" (Vadico e Noel Rosa), "O meu guri" (Chico Buarque), "Com a perna no mundo" (Gonzaguinha) e "Embala eu" (Albaléria). No disco, acompanhada pelo Grupo Semente, incluiu de sua autoria "Pra cobrir a solidão" (c/ Zé Renato), "Cordão de ouro" (c/ Roque Ferreira), "Portela" (c/ Pedro Miranda), "A borboleta e o passarinho" e "Candeeiro".

No ano de 2007 lançou o disco "Delicada" no qual incluiu "A gente esquece" (Paulinho da Viola) e a faixa-título, em parceria com Zé Renato. No show de lançamento do disco, no Circo Voador, também interpretou "Cantar" (Teresa Cristina), "Fim de romance" (Teresa Cristina e Argemiro Patrocínio), "Gema" (Caetano Veloso) e "Carrinho de linha" (Walter Queiróz).

Durante a carreira fez turnê no Japão, Alemanha, França, Espanha, Holanda e Itália.

No ano de 2008 apresentou-se no "Projeto Tempero Musical", no Centro Cultural Light, em talk-show comandado pelo crítico e jornalista Ricardo Cravo Albin, com direção geral de Paulo Roberto Direito e curadoria de Haroldo Costa. Ainda em 2008, ao completar dez anos de carreira e a convite do Itamaraty, apresentou-se na Bulgária, África do Sul e Argentina.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB

8 de mar de 2009

8 de março

Sou Mulher...

Não sou de ferro...
Sou de ROCHA...
A vida me empurrou,
queria para baixo,
mas segui em frente.
Exausta prossegui...
Queria mais
do que eu mesma podia me dar...
Busquei além de mim mesma...
Na queda amadureci...
As cicatrizes permitiram meu seguir...
A alma leve resultou da Paz de...
mim mesma.

(Neida Rocha é escritora e poetisa, reside em Canoas-RS)

5 de mar de 2009

Política ambiental brasileira: o que mudou

DEBATE ABERTO


O Fórum Social Mundial contou com a participação ativa dos ministros do Meio Ambiente do governo Lula, Marina Silva e Carlos Minc. É inevitável a gente se perguntar sobre o que afinal mudou, de um ministro para outro, na política ambiental brasileira.

Celso S. Bredariol

O Fórum Social Mundial contou com a participação ativa dos ministros do Meio Ambiente do governo Lula. Marina Silva participou de mesas do Fórum Mundial de Educação, de Justiça Ambiental e sobre o abuso de adolescentes, sempre voltada para a construção da militância. Carlos Minc visitou o navio do Greenpeace para discutir desmatamento e participou de mesas sobre Mudanças Climáticas e Amazônia Sustentável, trazendo posições de governo. É inevitável a gente se perguntar sobre o que afinal mudou, de um ministro para outro, na política ambiental brasileira.Ambos têm histórias de vida admiráveis. A primeira, de aluna do Mobral a militante com Chico Mendes das causas dos seringueiros até se tornar senadora da República e ministra. O segundo, de militante secundarista contra a ditadura, exilado, ecologista, deputado estadual por mais de vinte anos se dedicando a causas ecológicas e libertárias, até chegar a ministro de Estado. O que fazem ou fizeram de diferente na política ambiental?Primeiro é preciso situar que no período da ditadura, a política ambiental se destacou pela criação de áreas protegidas e pela estruturação do Sistema Nacional do Meio Ambiente, o SISNAMA. No período FHC a política avançou na legislação (foram criadas diversas leis como as de Recursos Hídricos, Unidades de Conservação, Crimes Ambientais e outras) e se esvaziou pelo sucateamento do SISNAMA. A entrada de Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente é marcada por propostas de resgate de Sistema Ambiental (Fortalecendo o SISNAMA foi o tema da primeira Conferência Nacional do Meio Ambiente), de combate à corrupção na administração ambiental através da Operação Corrupira com a Polícia Federal, do monitoramento do desmatamento através de Convênio com o INPE- Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, de concurso para o IBAMA e do licenciamento criterioso até dos investimentos do próprio governo. Mas o trabalho de Marina se destacou, principalmente, pelo enfrentamento de conflitos, como na questão dos transgênicos. Numa segunda etapa da sua gestão, o foco da política se volta para a questão do combate ao desmatamento e para a proposta da exploração sustentável das florestas. A lei de florestas propõe a licitação de áreas públicas para a exploração sustentável de madeira, evitando a vinculação do desmatamento à apropriação de terras públicas. Marina se desgastou no governo pela acusação de demora no licenciamento de investimentos do governo (a ministra dos bagres) e pela disputa da gestão do Plano Amazônia Sustentável com o ministro Mangabeira Ungler. É impossível, resumir em um parágrafo, cinco anos de uma gestão, mas apontei os pontos principais que marcaram a presença de Marina Silva no governo.Carlos Minc foi surpreendido pelo convite para ocupar o ministério. Falou demais ou até não soube o que dizer, num primeiro momento, mas identificou claramente as aspirações de mudança do governo. Para o licenciamento de atividades poluidoras, principalmente as de governo, ele mudou a estratégia, dando licenças em menor tempo, mas sobrecarregadas de exigências de monitoramento, mitigação e compensação de impactos ambientais. Se vão ser cumpridas ou não, é uma coisa para mais adiante, mas são compromissos que poderão ser cobrados pelo Ministério Público, pela Justiça e pela Sociedade.No combate ao desmatamento, identificou os seus principais agentes e organizou operações de derrubada de fornos de carvão, apreensão de madeira, gado e soja. Num primeiro momento, ficou o impasse, o que fazer com esses bois, grãos e toras? Para sair dessa, o governo editou um decreto de regulamentação da Lei de Crimes Ambientais, dando ao IBAMA, poderes de destinar produtos apreendidos em operações de combate a crimes ambientais, sem necessidade de autorização judicial e, ao mesmo tempo, reduzindo as instâncias e prazos para recursos de multas. Ainda na fiscalização, abriu 85 ações civis públicas contra empresas e fazendeiros acusados de desmatar a Amazônia. O sentido dessas operações foi de atingir a atividade econômica no que ela tem de valor. A prática anterior, de aplicação de multas que eram contestadas e não pagas, tinha resultados pouco expressivos, tanto econômicos quanto políticos. A partir das apreensões, abriram-se foros de discussão com setores empresariais para o estabelecimento de pactos setoriais de sustentabilidade e exigências para a certificação de produtos.Ainda na linha da sustentabilidade, foi estabelecida uma política de preços mínimos para produtos extrativistas, contemplando populações tradicionais, diretamente interessadas na preservação das florestas. As taxas de desmatamento têm caído, mas ainda é cedo para afirmar que seja em decorrência de ações de governo. A crise econômica tem reduzido encomendas de madeira por parte da indústria de construção nos Estados Unidos, uma grande compradora de madeira. A terceira grande mudança se refere ao lançamento do Plano Nacional sobre Mudanças Climáticas com objetivos, dentre outros, de mitigar emissões, manter elevada a participação de renováveis na matriz energética, aumentar a participação de biocombustíveis, reduzir o desmatamento, eliminar a perda líquida de florestas até 2015, reduzir a vulnerabilidade de populações, identificar impactos da mudança climática e a pesquisa científica. O lançamento desse plano permitiu a mudança de posição do Brasil em foros internacionais como o de Poznan, na Polônia, onde o país não foi mais com posições defensivas ou descomprometidas com ações de mitigação e redução de emissões. A meta de reduzir os índices de desmatamento em 70% até 2018 equivale a deixar de emitir 4,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono.Outras iniciativas estão em desenvolvimento como a criação do Fundo Amazônia para captação de recursos nacionais e internacionais, o zoneamento econômico ecológico, o ecoturismo, recursos hídricos, o programa de combate à desertificação com foco na caatinga, tendo o Nordeste com a principal região sujeita a efeitos de Mudanças Climáticas. No Plano da Amazônia Sustentável, o Ministério do Meio Ambiente passou a ter uma participação mais efetiva, já que o ministério titular da gestão do plano se concentrou na questão fundiária.A passagem de um ministro a outro demonstra uma situação de continuidade e mudança. Na verdade, as operações de apreensão não teriam sido possíveis se não tivesse havido o concurso do IBAMA e o combate à corrupção. Mudanças Climáticas foi tema da última Conferência Nacional do Meio Ambiente, preparando o lançamento de um plano. Mudou o sentido da fiscalização, se tornando um bater forte para negociar ajustes. Mudou o Licenciamento, ganhando agilidade. O Fórum Social Mundial vem discutindo essa política através de câmaras setoriais, especialmente os investimentos em hidrelétricas na Amazônia com ameaça de destruição de etnias e o impacto dos biocombustíveis sobre a segurança alimentar. Também os trabalhadores estão discutindo as mudanças climáticas. Esperemos pelas recomendações do FSM. Vamos ter que fazer um fórum só com os ministros.
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Celso S. Bredariol é Engenheiro Agrônomo pela UFRRJ, Ms em Educação pela FGV com tese sobre Ecodesenvolvimento e Educação Ambiental, DsC em Planejamento Ambiental pelo PPE-COPPE-UFRJ com tese sobre Negociação de Conflitos Ambientais.

Fonte: Agência Carta Maior - www.cartamaior.com.br