28 de dez de 2007

O amor remove distâncias


Hoje faz um ano que estou morando na cidade do Rio de Janeiro. Passou tão rápido que parece um sonhos gostoso que a gente não quer acordar.
A razão de eu vir para cá foi única: Luciana. Foi ela que, com sua voz de menina, seu jeitinho envolvente conquistou meu coração e me aceitou do jeito que sou. Como meus argumentos não foram suficientes, não consegui levá-la para Porto Alegre. Restou-me a mudança para o Rio. Foi muito difícil a adaptação porque senti falta dos amigos, da minha família, do meu filho, mudanças radicais no trabalho, mas sobrevivi, pelo amor que sinto pela Lu. Passamos o primeiro natal juntos, logo será um novo ano.
E como num conto de fadas, colocando alguns ingredientes da vida real, viverei o restante dos meus anos esse amor que é sincero e gostoso. Ah! Faltou a expressão: FELIZES PARA SEMPRE!

27 de dez de 2007

E 2008 vem aí!

Car@s amig@s,

Está chegando um novo ano. Ano de eleições, grandes debates nacionais, promessas, distribuição de cestas, dinheiro do narcotráfico rolando solto. Devemos questionar a própria democracia representativa em nosso país. Somos representados por quem? Para pensar...
Quero agradecer a acolhida recebida pela Valquíria e família em Vitória-ES. Adorei os bolinhos da tia Peca, vou sentir saudades! Guardem o livro do Perry Anderson, na confusão deixei aí...
Desejo aos meus amigos, companheiros e leitores do blog um novo ano melhor que este. E que possamos nos encontrar novamente neste espaço e se possível pessoalmente também!
Um grande abraço a todos!
Sejam Felizes!

16 de dez de 2007

Oscar Niemeyer - 100 anos

"A arquitetura não é o principal, o principal é a vida, a gente tem que trabalhar para fazê-la mais justa.
Oscar Niemeyer, que hoje celebra 100 anos de idade
Algumas das obras de Oscar Niemeyer:
Arquitetura

1937 - Obra do Berço - Rio de Janeiro - Brasil
1938 - Casa de Oswald de Andrade - São Paulo - Brasil
1939 - Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York - Nova York - EUA
1939 - Edifício Gustavo Capanema - Rio de Janeiro - Brasil
1940 - Conjunto da Pampulha - Belo Horizonte - Brasil
1951 - Conjunto Ibirapuera - São Paulo - Brasil
1951 - Conjunto Copan - São Paulo - - Brasil
1952 - Sede das Organizações das Nações Unidas (ONU) - Nova York - EUA
1952 - Casa das Canoas - Rio de Janeiro - Brasil
1954 - Museu de Arte Moderna (MAM) em Caracas - Caracas - Venezuela
1954 - Oca do Parque do Ibirapuera - São Paulo - Brasil
1957 - Palácio da Alvorada - Brasília - Brasil
1957 - Ministério da Justiça - Brasília - Brasil
1958 - Catedral - Brasília - Brasil
1958 - Praça dos Três Poderes - Brasília - Brasil
1958 - Congresso Nacional - Brasília - Brasil
1958 - Supremo Tribunal Federal - Brasília - Brasil
1958 - Palácio do Planalto - Brasília - Brasil
1962 - Palácio do Itamaraty - Brasília - Brasil
1962 - Ministério das Relações Exteriores - Brasília - Brasil
1967 - Sede do Partido Comunista Francês - Paris - França
1968 - Centro Musical - Rio de Janeiro - Brasil
1968 - Hotel Nacional - Rio de Janeiro - Brasil
1968 - Editora Mondadori - Segrate (Milão) - Itália
1968 - Mesquita de Argel - Argel - Argélia
1968 - Centro Cívico - Argélia
1969 - Universidade de Constantine - Constantine - Argélia
1972 - Bolsa do Trabalho - Bobigny - França
1972 - Centro Cultural de Le Havre - Le Havre - França
1980 - Memorial JK - Brasília - Brasil
1983 - Passarela do Samba - Rio de Janeiro - Brasil
1983 - Prédio-Sede da Rede Manchete de Televisão - Rio de Janeiro - Brasil
1985 - Panteão da Pátria - Brasília - Brasil
1986 - Casa do Cantador - Brasília - Brasil
1987 - Memorial da América Latina - São Paulo - Brasil
1987 - Sede do jornal L¿humanité - Saint-Denis - França
1991 - Museu de Arte Contemporânea - Niterói - Brasil
1991 - Sambódromo - São Paulo - Brasil
1994 - Museu O Homem e Seu Universo - Brasília - Brasil
1994 - Torre da Embratel - Rio de Janeiro - Brasil
2002 - Museu Oscar Niemeyer - Curitiba - Brasil
2006 - Complexo Cultural da República João Herculino - Brasília - Brasil

Urbanismo

1964 - Plano Neguev - Deserto de Neguev - Israel
1967 - Conjunto Urbanístico em Grasse - Grasse - França
1981 - Ilha de Lazer em Abu-Dhabi - Emirados Árabes

Mobiliário

1971 - Estrutura em madeira prensada; assento e encosto em couro
1974 - Estrutura em laminado de madeira prensada; com palha de Viena
1977-78 - Estrutura em laminado de madeira prensada; com palha de Viena

Escultura

1972 - Mão - Centro Cultural de Le Havre
1980 - Monumento JK - Brasília - Brasil
1986 - Monumento Tortura nunca mais - Rio de Janeiro - Brasil
1988 - Mão - Memorial da América Latina - São Paulo - Brasil
1988 - Monumento Nove de Novembro - Volta Redonda - Brasil
1991 - Memorial Gore-Almadies - Dakar - Senegal

Serigrafia

1987-88 - Gravura - 55 x 55 cm

Cenografia

1956 - Cenário de Niemeyer para a peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes - Brasil

Editorial e Ilustração

Ilustração para o livro de Ferreira Gullar
Revista Módulo
Ilustração para o livro de Dias Gomes
Ilustração para o livro de Carlos Drummond de Andrade

Literatura

1966 - Quase Memórias: Viagens
1976 - Minha Experiência em Brasília
1978 - A Forma na Arquitetura
1980 - Rio: de Província a Metrópole
1986 - Como Se Faz Arquitetura
1989 - Trecho de Nuvens
1992 - Meu Sósia e Eu
1993 - Conversa de Arquiteto
1999 - Meu Sósia e Eu
2000 - As Curvas do Tempo
2004 - Minha Arquitetura: 1937-2004
2006 - Sem Rodeios

Fonte: Portal Terra

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Todo dia passo na frente de uma grande obra do Oscar, o Sambódromo. É o espaço do samba, com uma arquitetura que se destaca.

Parabéns arquiteto, pelo teus 100 anos!
15/12/2007


13 de dez de 2007

Prostituição infanto-juvenil: o que os pais têm haver com isso? Ou: Quem educa nossos filhos?!?

Luciana Vieira*

O texto de hoje é apenas um lançar de idéias, meio ansioso e muito preocupado... Uma tentativa de levar à reflexão, quiçá à discussão, de nossa sociedade cruel e consumista e da educação que estamos oferecendo a nossos filhos. Filhos que devíamos proteger, cuidar, ensinar... Filhos que deveriam mais que ter, ser... Ser valorizados, acarinhados, criados para o mundo lá fora (de nossas asas)...

A pergunta é: Diante de tantas preocupações no patamar social, ecológico, ambiental... Etc e tal.... Que mundos estamos oferecendo para nossos filhos e que filhos estamos oferecendo para o nosso mundo?

Hoje estava discutindo com uma colega, em pleno PED do PT (sim, eu sou petista, de carteirinha... dá licença!). Falávamos sobre a educação de nossos filhos e do mundo hoje, sobre a lastimável fome de consumo a que nossos filhos (e jovens de todo o mundo) são conduzidos...

Estive lembrando de críticas que fiz a educação de um adolescente próximo. Menino ávido por roupas de marca, coisas caras, etc... E totalmente desprovido de valores humanos e ignorante sobre o seu valor enquanto pessoa. Um menino que é apenas mais um, no meio de tantos, a perder seu tempo com coisas que na verdade, não tem valor algum... Iludido com promessas de pais que não souberam colocá-lo no lugar devido... O de filho.

Veio-me uma pergunta à mente: Quando foi que começamos a prostituir nossos jovens? Sim, porque os pais vêm prostituindo seus filhos quando os vêem em plena febre consumista e não buscam a cura. Deixam seus filhos relegados a uma mídia que impregna suas mentes, que os faz ser apenas o que vestem, o que calçam, o que consomem... Seres sem conteúdo...

Essa minha amiga estava me contando sobre uma conhecida, que pagava para a filha freqüentar uma academia. Dizia ela: "Não está linda minha filha? Vai arrumar um marido rico!!"
Fiquei de boca aberta!! Com que ingenuidade ou ignorância uma mãe se coloca a dizer que a filha nada mais é do que um objeto a ser vendido? (Sim, porque é isso que ela se torna. Um pedaço de carne exposto a ser leiloado. Quem pagar mais, leva...)

Onde foi parar a valorização pelo mérito de conseguir galgar degraus por si mesmos? "Ahhh! Ela não tem capacidade, tem que se virar..." Pois é... O objetivo do "casamento rico", "do jeitinho", "do se virar"... E até lá, por quantas passarão, no ímpeto de "fazer qualquer coisa" para alcançar objetivos tão baixos? Isso me faz lembrar que a incidência do vírus HIV tem aumentado entre as meninas na proporção de 3 ou 4 meninas para cada menino, segundo uma reportagem que vi. Nessa mesma reportagem uma menina de uma comunidade qualquer dizia: "Eu transo sem camisinha com meu namorado porque senão ele arruma outra". Como se ele, para ser o "macho" não fosse fazer a mesma proposta a outra menina qualquer (ou a mais 2, conforme pesquisa). Aliás, não podemos esquecer que em muitas comunidades o "casamento rico" se traduz no poder se vestir, se alimentar, ser protegida pela "elite" da comunidade: o tráfico.

Muitos pais vêm "esquecendo" de valorizar a capacidade de nossos jovens, de dizer que podem ser aquilo que quiserem. Que podem mudar o mundo... E mais: podem ser felizes muito mais por suas realizações do que por ter a camisa X ou o tênis Y... Fica mais fácil comprar a camisa e o tênis...

Vejo nossos jovens expostos à vida lá fora, sem qualquer proteção, achando que por estar "tão bonitinho com a roupa nova" (que custou metade da renda da família, se não mais) vão conseguir um bom emprego, num local de trabalho ideal...

Queremos tornar nossos filhos diferentes, primeiros, invejáveis... E os tornamos meros castiçais adornados com a ignorância, com a desvalorização do seu eu... Só porque tem um loiro na televisão que por ser "um gatinho" mesmo falando errado, conseguiu um contrato com salário alto naquela transmissora de televisão... Esquecem de fazer a conta: ele é um em 65 milhões...

Mas onde está o erro? Nos pais que superprotegem seus filhos, livrando-os de toda e qualquer dificuldade, facilitando excessivamente o acesso a bens materiais, alimentando a fome de consumo com a velha desculpa do "eu quero dar ao meu filho tudo que não pude ter"? Ou nos jovens que vão se acostumando a ter tudo fácil, que se tornam cada dia mais exigentes... Até que um dia... Seus pais não podem mais dar... E aí...

Aí é a vida que vai ter que dar um basta, um limite... E este pode ser definitivo...

02/12/2007

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* Luciana Vieira é socióloga e diretora do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro
Blog: Enluaradas

Berzoini e Tatto destacam preparação do PT para 2010


A preparação para as eleições de 2010, a relação do PT com os movimentos sociais, a democracia interna e a juventude petista foram temas que se destacaram no debate realizado na manhã desta quarta-feira (12) entre os deputados Ricardo Berzoini e Jilmar Tatto, que disputam a presidência nacional do partido no segundo turno do PED 2007. O debate aconteceu na sede nacional do partido, em Brasília.

Durante mais de uma hora, os dois candidatos apresentaram suas propostas e posicionamentos políticos com relação à condução do PT nos próximos dois anos. Também foram feitas seis intervenções de apoiadores das duas candidaturas, com perguntas, questionamentos e comentários sobre as suas propostas.

Berzoini e Tatto destacaram o acúmulo político conquistado pelo PT, principalmente nas eleições de 2006, com a reeleição de Lula à presidência da República, a maior votação para deputados federais entre todas as legendas e a conquista de cinco governos estaduais. Eles creditaram essas vitórias ao grande esforço realizado pela direção nacional que foi eleita no PED 2005, após a crise política vivida pelo partido naquele mesmo ano.

Eleições 2010
Tanto Berzoini como Tatto consideram a preparação do PT para a disputa das eleições presidenciais em 2010 um dos grandes desafios para o partido.

Para Tatto, o PT deve trabalhar para consolidar uma candidatura própria em 2010, com a apresentação de um programa que defenda o governo Lula e da negociação de uma aliança com os partidos de centro-esquerda que já fazem parte da coalizão atual.

Berzoini afirmou que não existem argumentos contra uma candidatura própria do partido para a sucessão de Lula, mas adiantou que para isso é necessária a construção de um cenário político favorável, com a elaboração de um programa que não tenha somente o apoio dos partidos aliados, mas do conjunto da sociedade brasileira.

Movimentos sociais
A relação do PT com os movimentos sociais do país foi bastante debatida pelos dois candidatos.

Para Tatto, o partido precisa mudar a sua agenda política para resgatar o diálogo com o movimento popular e sindical, para atuar na defesa de questões como a implantação das 40 horas semanais e o debate em torno de uma educação pública de qualidade. Ele defende uma relação mais direta entre o governo Lula e os movimentos.

Para Berzoini, o partido não se afastou dos movimentos sociais porque existem diversos petistas atuando na organização da sociedade civil e em diversas frentes de luta. Ele afirmou que o petista que atua no movimento está investido de poder para reivindicar melhorias, enquanto que os que estão no governo federal estão investidos da condição de realizar políticas de Estado. Na sua opinião, as contradições resultantes deste processo são naturais, principalmente para um partido que tem projeto de poder como o PT.

Democracia interna
Os candidatos manifestaram a sua preocupação com relação a uma nova forma de organização interna do partido.

Tatto destacou a necessidade da elaboração de um código de ética, proposta aprovada no 3º Congresso Nacional, além da constituição de um pacto partidário sobre o comportamento partidário dos parlamentares e militantes. Além disso, ele propõs a “radicalização” da democracia, com igualdade de condições para todas as correntes.

Berzoini afirmou que, apesar da grande participação dos militantes no primeiro turno do PED 2007, com mais de 325 mil votantes, existe uma preocupação com relação à filiação partidária. Ele defendeu uma discussão em torno de um novo conceito de filiação, nível de formação política do filiado e o fim do “assistencialismo” interno.

Juventude
A questão da organização da juventude petista foi considerada pelos dois candidatos como um grande desafio para o partido e uma prioridade para a nova direção nacional, que lembraram a aprovação pelo O 3º Congresso Nacional do PT do I Congresso Nacional da Juventude Petista. Berzoini e Tatto concordam que o futuro do PT depende de uma participação mais ativa da juventude que, nos últimos anos, está mais presente nas ações do partido em todo o país.

Fonte: Diretório Nacional do PT


12 de dez de 2007

PELA VERDADEIRA MUDANÇA DO PT, A MENSAGEM CONTINUA

PELA VERDADEIRA MUDANÇA DO PT, A MENSAGEM CONTINUA

Já no primeiro turno do PED constatávamos um fato impressionante na disputa pela nova direção do PT. Todos se propunham a mudar. Prova de que muita coisa vai mal no interior do partido. Mas, como em vários outros momentos de desgaste de uma maioria, a mudança é uma palavra-chave que esconde vários conteúdos. É preciso entender, pela comparação entre a prática partidária das forças internas representadas com as palavras dos textos, de que mudança se trata em cada caso. Pois sempre é possível que, depois de um processo eleitoral, os vitoriosos não façam mudança alguma, ou mudem para pior.

A alternativa da Mensagem continuará presente e ativa

Nós da Mensagem ao Partido nos propusemos a fazer mudanças no PT, que expressam nossas profundas convicções e nosso esforço para traduzi-las em nossa prática política. Por todo o Brasil, milhares de companheiros e companheiras foram à luta por estas idéias, defendendo generosamente suas convicções coletivas e socialistas, secundarizando perspectivas pessoais imediatas ou futuras.

A Mensagem ao Partido veio construindo uma convergência de forças internas do PT em torno de um programa de esquerda para superação da crise. É um processo ainda em curso e em ampliação. Crescemos bastante desde o lançamento da Mensagem, em Salvador, no mês de fevereiro de 2007.

Apresentamos ao 3º Congresso um programa atual de democratização do poder na sociedade brasileira e de construção de um outro Estado, que reconhece as transformações já iniciadas pelo governo Lula e que destaca a necessidade de serem aprofundadas para avançar na transição ao socialismo. O centro deste programa é a revolução democrática e a sua agenda (reforma política com constituinte exclusiva, sistema nacional de democracia participativa, democratização dos meios de comunicação de massa).

Este programa que apresentamos se vincula à retomada da identidade e da militância socialista do PT (através da crítica do processo de concentração do partido nas atividades, carreiras e cargos institucionais do Estado, que favorecem o surgimento de problemas éticos e que vai transformando a democracia interna num rito cada vez mais vazio de conteúdo ideológico). Este programa se vincula também à necessidade de uma coalizão de forças de esquerda (reconhecendo problemas comuns aos nossos vicejando nelas), e à perspectiva de construção de uma cultura socialista de massas no Brasil.

Nos apresentamos com chapa nacional ao PED e com uma plataforma de 13 pontos que resumiu as tarefas mais prementes desta fase da vida do PT. Seguimos à risca todas as regras definidas pela direção nacional para o PED, inclusive aquela que proibia o financiamento da campanha interna por pessoas jurídicas ou por pessoas físicas não filiadas ao PT. Não vinculamos a busca de apoios ao nosso candidato a presidente ou à nossa chapa a compromissos com candidaturas em 2008 ou 2010, muito menos com compromissos de financiar campanhas eleitorais. O nosso candidato a presidente, o companheiro José Eduardo Cardozo, nos representou de forma digna, combativa, qualificada e altiva. Deu-nos um exemplo de desprendimento e de dedicação.

Elegemos 14 dos 81 membros da nova Direção Nacional, centenas de outros nas direções estaduais e municipais. José Eduardo teve 57.694 mil votos entre os filiados que compareceram ao PED. Por pequena diferença não estamos no segundo turno para presidente nacional do partido. Agora, nos postos que conquistamos e em nossa atividade de militantes petistas, vamos continuar batalhando por estas idéias e práticas que defendemos.

No interior do partido vamos insistir na necessidade de mecanismos para que as decisões partidárias voltem a ser fruto de amplo debate, revitalizem os organismos de base e instrumentos coletivos, voltem a fazer do debate político ferramentas de formação socialista e de compreensão da realidade. Vamos continuar combatendo a crescente cultura eleitoreira no partido, sustentada por um exército de cabos eleitorais remunerados, que vai penetrando também as eleições internas e as prévias. Vamos resgatar a sustentação do partido na força de centenas de milhares de militantes convictos. Por isso, levaremos avante a luta por uma reforma política no país, mas também por uma reforma política interna que garanta a vitória nas disputas pela força das idéias e das lideranças, e não pelo controle dos aparelhos do partido, pelos aparatos parlamentares, pelo poder econômico, pelas promessas de favores, de financiamento de campanhas ou de atividades políticas, pela interferência dos governos na vida partidária, pelo voto de arrastão de filiados em massa. Rechaçamos esta lógica que introduz de fora para dentro do nosso partido elementos da política tradicional, historicamente recusados pelo PT, e que vão transformando o partido numa máquina eleitoral cada vez mais dependente do clientelismo, do dinheiro, e portanto, cada vez mais sujeito à corrupção. Pressionaremos para a imediata redação e aprovação de um Código de Ética no PT, e de mecanismos que façam valer suas normas na prática partidária e nos cargos públicos, para que elas não sejam letras mortas desrespeitadas. Lutaremos por um novo sistema de financiamento do partido, mais modesto, porém conforme com seus objetivos históricos.

Temos várias outras tarefas pela frente às quais nos dedicaremos: a defesa do governo Lula e do aprofundamento da transição para um modelo pós-neoliberal, um amplo movimento nacional pela reforma política, um sistema nacional de democracia participativa, a preparação do PT para expressivas vitórias nas próximas eleições municipais de 2008 e para a batalha de 2010, o reencontro ativo com os movimentos sociais, com a juventude, com as lutas agrárias e urbanas, com as lutas de mulheres, negros e outros setores discriminados, com a preservação da natureza, com a intelectualidade de esquerda, e a construção de um novo e criativo sistema de comunicação que passe por cima do atual monopólio da grande mídia.

As alternativas que foram ao segundo turno nacional

As duas candidaturas à presidência do PT que passaram ao segundo turno representam, em graus diferenciados, resistência e oposição a este programa de esquerda de superação da crise do PT, em boa parte expresso nas resoluções do 3º Congresso.

A candidatura Berzoini é sustentada por forças políticas que programaticamente vão se diferenciando, perdendo a homogeneidade que durante bom tempo caracterizou o antigo campo majoritário, que dirigiu o partido por mais de dez anos. A evolução dos acontecimentos mostrou que, enquanto principal força dirigente do PT, ela não conseguiu conduzir o partido para a realização simultânea de todos os aspectos que constituem sua essência: um partido de lutas políticas, sociais, culturais, ideológicas, simultaneamente a um partido exitoso em disputas eleitorais; uma forte presença da militância mobilizada, do debate de idéias e dos organismos de base ativos, convivendo com uma direção eficiente; um partido autônomo em relação a um governo muito mais amplo do que ele, e, ao mesmo tempo, seu principal suporte político. Este fracasso que acompanhou o período em que dirigiu o sucesso eleitoral do PT, além de estar no coração da crise do partido, está no centro da crise da corrente que hoje se chama Construindo um Novo Brasil.

O modelo do antigo campo majoritário de dirigir o PT se sustentou num tripé: transformação da estrutura partidária em máquina eleitoral; poder nas mãos de um pequeno grupo dirigente, garantido por uma maioria coesa em torno do principal objetivo estratégico – a conquista e o exercício da presidência da República; subordinação do partido ao governo, onde membros do pequeno grupo dirigente constituíam o núcleo central. Este modelo entrou em decadência na crise de 2005, com a falta de respostas claras para superação dos impasses, com o desaparecimento de sua antiga coesão, com o afastamento ou a apatia partidária de muitas de suas lideranças expressivas, com o seu enfraquecimento no núcleo central do governo.

A candidatura à reeleição de Berzoini veio suportada por forças que mais resistem a uma lógica de renovação política do PT. Foi uma reação conservadora a propostas renovadoras que começaram a surgir entre lideranças no interior da própria corrente, expressas pela candidatura abortada de Marco Aurélio Garcia à presidência. As lideranças minoritárias com mais afinidade com um programa de esquerda para o PT submeteram-se a uma unidade de sentido inercial sob o comando de uma maioria que resiste e se opõe a mudanças.

A candidatura de Jilmar Tatto surgiu sustentada por forças políticas heterogêneas. Bem menos conhecida no país do que a de Berzoini por sua inserção quase exclusivamente paulista, cresceu pelo apoio da corrente Movimento PT organizada principalmente em torno de parlamentares nos estados.

A candidatura de Tatto navega num discurso de oposição. Porém, a história do candidato e do núcleo das duas principais correntes paulistas que o sustentam, não é diferente do caminho que trilhou o antigo campo majoritário. Tanto que alguns quadros importantes se apressaram, após a proclamação dos resultados do primeiro turno, em propor a reconstituição daquele campo pela junção de Berzoini com Tatto.

O núcleo originário da candidatura Tatto trabalha com um forte pragmatismo eleitoral em torno de carreiras, de líderes e de grupos de interesse, num momento de horizonte estratégico baixo para o partido. Lançou mão intensamente da substituição de militantes por cabos eleitorais pagos (o mais emblemático dos exemplos se manifestou nas eleições paulistanas de 2004, quando milhares dos chamados “moranguinhos” foram contratados para fazer campanha no dia-a-dia no lugar da militância). Sua política adota e defende a filiação em massa no partido, e assim foi se fortalecendo nas eleições internas (onde pratica o transporte massivo dos filiados). Quando maioria e direção na cidade de São Paulo também centralizou o partido na mão de algumas pessoas e deixou de estimular os organismos de base , com o notório enfraquecimento dos diretórios zonais. Quando faziam parte do núcleo duro do governo Marta Suplicy na cidade de São Paulo, o partido não tinha autonomia, ao contrário, nele predominava a intensa força do governo, que levou estes agrupamentos a terem sólida maioria no diretório municipal. Nas relações com os outros partidos praticava então uma política de alianças amplíssima, chegando até a Paulo Maluf, como aconteceu no segundo turno das eleições de 2004 em São Paulo.

Seu núcleo originário e ativo pode ser caracterizado como de franca oposição a um programa de esquerda: defesa de programas econômicos neoliberais, resistência à proposta de reforma política, defesa de alianças amplíssimas, pragmatismo acentuado em detrimento da identidade socialista, construção de relações de clientela em prejuízo de um perfil militante socialista, incorporação de um padrão problemático em relação à ética pública.

Hoje, o núcleo desta candidatura, e o próprio candidato, representam as posições mais retrógradas e à direita do PT.

Seu poder de atração sobre outros setores que se apresentaram com programas de esquerda no primeiro turno do PED só pode se explicar pelo contra ao que está aí. Não será a primeira vez em que, nos processos políticos, a ilusão de mudança perturba a vista dos que querem mudança.

A posição da Mensagem diante das alternativas Berzoini e Tatto

A avaliação que temos do significado das candidaturas Berzoini e Tatto expressa os motivos de termos adotado a candidatura de José Eduardo Cardozo.

Não somos partidários simplesmente da mudança de dirigentes, pela simples mudança. Muito menos seremos partidários de substituições que aprofundem os elementos causadores de nossa crise, que ameaça transformar o PT num partido eleitoral dominado pela lógica fundada em carreiras individuais. Como a candidatura de Jilmar Tatto se nos afigura como uma mudança para pior, não temos razão para apoiá-la, por seu falso apelo oposicionista.

A candidatura Berzoini representa a tentativa de dar continuidade ao modelo partidário implementado pelo antigo campo majoritário, modelo esse que permitiu que se desenvolvesse um ambiente de perda de vitalidade ideológica e política e abriu espaço para alternativas, como a representada por Jilmar Tatto, que não só consideram “normal” como se, vencedoras, aprofundariam todos os aspectos negativos que vemos na prática do partido sob o comando do antigo campo majoritário.

Assim sendo, embora reconhecendo que, nenhuma das alternativas presentes no 2º turno representa a mudança necessária que propugnamos para o PT, a Mensagem, com base nesta análise, convoca a militância a participar ativamente do processo de 2º turno no PED, em todos os níveis, votando de acordo com a sua consciência no que entender como melhor para o PT. Essa posição da Mensagem reforça a necessidade de continuar organizando e fortalecendo um movimento de opinião permanente, amplo e plural para a defesa de um perfil democrático, socialista, ético e militante para o PT combinado com a defesa de um programa da revolução democrática.

Reafirmamos, como centralidade de nossos esforços nas novas direções partidárias e na nossa militância, a luta por um programa de esquerda para avançar na revolução democrática em curso e na superação da crise do PT, dispostos a nos somar com todos aqueles que, como nós, tiveram ou desenvolveram uma visão crítica sobre os processos vividos e renovaram as energias para refletir no cotidiano os objetivos estratégicos de nosso partido.

Plenária nacional da Mensagem ao Partido

São Paulo, 8 de dezembro de 2007.

9 de dez de 2007

Em memória de Heloneida e Vera Magalhães

Petistas realizam ato em memória de Heloneida e Vera

Esta foi uma semana de vitórias, com o PT apurando os resultados do PED 2007 e mostrando ao povo e ao mundo político a força e a garra de sua militância. Tanto em nível nacional quanto no Rio de Janeiro um número maior de votantes, em comparação ao PED de 2005, foi às urnas levar seu voto. Foram 326 mil, no país, e no estado foram mais de 23 mil.

Mas, apesar desta expressiva vitória, esta foi uma semana de luto. Os movimentos políticos e sociais que se organizam, no Brasil, desde os anos de 1960 perderam duas guerreiras, duas mulheres de fibra e exemplo de luta: Heloneida Studart nos deixou na manhã da última segunda-feira, após ser eleita presidente do PT da 25ª Zona Eleitoral. Despediu-se com mais uma bonita vitória.

Na terça, o mesmo coração, tambor do peito, levou-nos Vera Silvia Magalhães, ex-guerrilheira, mulher que colocou o amor ao país e à luta de resistência contra a ditadura militar acima da própria vida. Participou do seqüestro do embaixador dos EUA, Charles Elbrick, depois foi presa, sofreu as mais bárbaras torturas, foi solta em troca de outro embaixador que a luta armada de resistência seqüestrou. Vera Silvia lutou, perdeu, venceu, mas, sobretudo, viveu em busca da conquista das transformações políticas e sociais do país.

Dois exemplos de luta, dois exemplos de mulheres guerreiras. A seguir, o Portal reproduz um poema de verdade, de Vera, e o texto bonito de Marcos Quintanilha, assessor parlamentar do vereador Adilson Pires (PT-RJ), que circula entre petistas e, mais amplamente, na internet, em homenagem a Heloneida Studart, mas que muito bem pode ser estendido a Vera Sílvia. Afinal, tanto Heloneida quanto Vera são, agora, estrelas no amplo céu da memória social brasileira.

5 de dez de 2007

Resultados do PED 2007 - PT


BRASIL

Berzoini e Tatto vão para o 2º turno; PED teve mais de 320 mil votantes

Os deputados federais Ricardo Berzoini e Jilmar Tatto, ambos do PT de São Paulo, vão disputar o segundo turno das eleições para a presidência nacional do partido, que acontece no próximo dia 16 de dezembro.

A sexta parcial das apurações, divulgada às 21h desta terça-feira (4), mostra também que o total de petistas que participaram deste PED superou o de 2005. Nas eleições daquele ano, votaram 314.926 filiados. Agora, com 99% da apuração concluída, o número de votantes já é de 317.372. A expectativa é de que ultrapasse 320 mil.

Até o momento, Berzoini teve 129.191 votos (43,75%), contra 60.578 de Jilmar Tatto (20,51%). Na terceira colocação segue José Eduardo Cardozo, com 55.891 (18,93%).

Confira abaixo todos os números da sexta parcial:

Candidatos

Ricardo Berzoini – 129.191 - 43,75%

Jilmar Tatto – 60.578 - 20,51%

José Eduardo Cardozo – 55.891 - 18,93%

Valter Pomar - 33.755 - 11,43%

Gilney Viana - 11.104 - 3,76%

Markus Sokol – 2.883 - 0,98%

José Carlos Miranda - 1.921 - 0,65%

Brancos - 15.867

Nulos – 6.182

TOTAL – 317.372

Chapas

Construindo um Novo Brasil – 42,91%

Partido é Pra Lutar – 19,69%

Mensagem ao Partido – 16,84%

A Esperança é Vermelha – 11,13%

Militância Socialista – 4,97%

Movimento Popular – 1,49%

Terra, Trabalho e Soberania – 1,21%

Democracia Pra Valer – 1,13%

Programa Operário e Socialista – 0,62%



RIO DE JANEIRO

Apuração de 90% do Rio de Janeiro mostra Cantalice reeleito

Faltando ainda a apuração final em cerca de 10 municípios, o resultado parcial da apuração de pouco mais de 22 mil votos do PED 2007 no Rio de Janeiro aponta a vitória virtual do atual presidente do PT-RJ, Alberto Cantalice, com 10.916 votos (52,82%) dos votos.

Em segundo lugar aparece Cida Diogo, com 4.866 (23,55%); Washington Quaquá, 3.221 (15,59%); Aurélio Medeiros, 881 (4,26%); e Eric Vermelho, 764 (3,70).

Neste cômputo parcial dos votos faltam as apurações das urnas de municípios menores em termos de filiados, bem como a totalização dos votos conferidos à candidatura de Christiane Granha, da chapa Terra, Trabalho e Soberania.

Até o meio da tarde já estavam computados 22.280 votos, dos quais 1.340 em brancos e 274 nulos, resultando, portanto, 20.666 votos válidos.

Nos municípios de maior número de votantes os resultados, segundo esta apuração ainda parcial, são os seguintes:

Rio de Janeiro: Cida – 1.520; Eric – 227; Quaquá – 1.213; Cantalice – 3.263; Aurélio –264;

Niterói: Cida – 937; Eric – 6; Quaquá – 179; Cantalice – 876; Aurélio – 81;

São Gonçalo: Cida – 181; Eric – 208; Quaquá – 168; Cantalice – 756; Aurélio – 137;

Duque de Caxias: Cida – 93; Eric – 13; Quaquá – 173; Cantalice – 669; Aurélio – 31;

Nova Iguaçu: Cida – 155; Eric – 21; Quaquá – 262; Cantalice – 387; Aurélio – 9;

Volta Redonda: Cida – 678; Eric – 75; Quaquá – 6; Cantalice – 154; Aurélio – 2.

Segundo turno no município do Rio

Está confirmada a realização de segundo turno para a eleição da presidência municipal do PT do Rio. Vão disputar Alberes Lima, com 2.870 votos, e Antonio Neiva, com 1.452. Os números ainda são parciais e deverão ter alterações no cômputo final da apuração dos votos.

Fonte: Diretório Estadual do PT - RJ - 04/12/2007

RIO GRANDE DO SUL

4ª PARCIAL

Até às 21 horas , de segunda-feira (3) com 263 municípios apurados, num total de 23.455 votos apurados o resultado parcial do PED no Rio Grande do Sul é:

Atualizado às 11h30min desta terça-feira (4) - o servidor Terra estava fora do ar

(*) faltava apurar 91 municípios para encerrar a apuração no RS.

  • PRESIDENTE NACIONAL

[110] – Markus Sokol – nº de votos = 105

[120] – Valter Pomar – nº de votos = 4.007

[140] – José Eduardo Cardozo – nº de votos = 10.495

[150] – Jilmar Tatto – nº de votos = 2.905

[170] – Gilney Viana – nº de votos = 98

[180] – Ricardo Berzoini – nº de votos = 4.716

[190] – Miranda – nº de votos = 93

  • CHAPA NACIONAL

[210] - Terra, Trabalho e Soberania – nº de votos = 152

[220] – A Esperança é Vermelha - nº de votos = 3.706

[230] – Democracia pra Valer - nº de votos =152

[240] – Mensagem ao Partido - nº de votos = 10.068

[250] - Partido é pra Lutar - nº de votos = 2.843

[260] – Movimento Popular - nº de votos = 154

[270] – Militância Socialista - nº de votos = 86

[280] – Construindo um Novo Brasil - nº de votos = 4.578

[290] – Programa Operário e Socialista - nº de votos =88

  • PRESIDENTE ESTADUAL

[310] – Marcelo Carlini - nº de votos = 63

[350] – Cícero Balesttro - nº de votos = 1.115

[380] – Maria Eunice Wolff - nº de votos = 4.376

[390] – Olívio Dutra - nº de votos = 16.731

  • CHAPA ESTADUAL

[410] – Terra, Trabalho e Soberania - nº de votos = 221

[420] – A Esperança é Vermelha - nº de votos = 3.591

[430] – Diálogo por um PT Renovado - nº de votos = 4.138

[440] – Mensagem para Mudar o Partido - nº de votos = 7.629

[450] – Partido é Pra Lutar - nº de votos = 1.565

[480] – Construindo um Novo Brasil - nº de votos = 4.333

Fonte: Diretório Estadual do PT - RS

CANOAS - RS

RESULTADO FINAL DO PED EM CANOAS

Foi realizado nesse domingo (02/12) o Processo de Eleições Diretas (PED) do Partido dos Trabalhadores (PT) em nível nacional. O PED renovou as direções Nacional, Estaduais e Municipais.
Em Canoas, foram 1210 filiados que participaram do processo, demonstrando o poder de mobilização do partido. Um bom sinal para um ano pré-eleitoral.
O resultado em Canoas foi o seguinte:

PRESIDENTE NACIONAL

110 - M. SOKOL - 5 votos - 0,43%
120 - V. POMAR - 156 votos - 13,30%
140 - CARDOZO - 630 - 53,71%
150 - TATTO - 65 votos - 5,54%
170 - G. VIANA - 3 votos - 0,26%
180 - BERZOINI - 312 votos - 26,60%
190 -MIRANDA - 2 votos - 0,17%
BRANCOS - 25 votos
NULOS - 12 votos
VOTOS VÁLIDOS - 1173 votos
TOTAL - 1210 votos

CHAPA NACIONAL

210 - TERRA, TRABALHO E SOBER. - 3 votos - 0,26%
220 - A ESPERANÇA É VERMELHA - 153 votos - 13,20%
230 - DEMOCRACIA PRA VALER - 3 votos - 0,26%
240 - MENSAGEM AO PARTIDO - 620 votos - 53,49%
250 - PARTIDO É PRA LUTAR - 68 votos - 5,87%
260 - MOVIMENTO POPULAR - 9 votos - 0,78%
270 - MILITÂNCIA SOCIALISTA - 1 voto - 0,09%
280 - CONSTR. NOVO BRASIL - 296 votos - 25,54%
290 - PROGRAMA OPERÁRIO E SOC. - 6 votos - 0,52%
BRANCOS - 32 votos
NULOS - 19 votos
VÁLIDOS - 1159 votos
TOTAL - 1210 votos

PRESIDENTE ESTADUAL

310 - MARCELO - 3 votos - 0,26%
350 - CÍCERO - 51 votos - 4,35%
380 - EUNICE - 317 votos - 27,05%
390 - OLÍVIO - 801 votos - 68,34%
BRANCOS - 27 votos
NULOS - 11 votos
VÁLIDOS - 1172 votos
TOTAL - 1210 votos

CHAPA ESTADUAL

410 - TERRA, TRABALHO E SOBER. - 11 votos - 0,97%
420 - A ESPERANÇA É VERMELHA - 142 votos - 12,53%
430 - DIÁLOGO POR PT RENOV. - 22 votos - 1,94%
440 - MENSAGEM PARA MUDAR - 597 votos - 52,69%
450 - PARTIDO É PRA LUTAR - 51 votos - 4,50%
480 - CONSTR. NOVO BRASIL - 310 votos - 27,36%
BRANCOS - 67 votos
NULOS - 10 votos
VÁLIDOS - 1133 votos
TOTAL - 1210 votos

PRESIDENTE MUNICIPAL

500 - MATTGE - 294 votos - 25,68%
540 - BARÔNIO - 273 votos - 23,84%
580 - TEJADAS - 578 votos - 50,48%
BRANCOS - 58 votos
NULOS - 7 votos
VÁLIDOS - 1145 votos
TOTAL - 1210 votos

CHAPA MUNICIPAL

600 - PT DE LUTAS E SOCIALISTA - 295 votos - 25,61%
640 - DEMOCRACIA E SOCIALISMO - 243 votos - 21,09%
650 - PT AMPLO E DEMOCRÁTICO - 302 votos - 26,22%
680 - COMPROMISSO COM O PT/AD - 196 votos - 17,01%
690 - MOVIMENTO SOLIDARIEDADE - 116 - 10,07%
BRANCOS - 42 votos
NULOS - 16 votos
VÁLIDOS - 1152 votos
TOTAL - 1210 votos

Fonte: Blog do Anderson Fraga

Nota: Parabéns aos companheiros de Canoas pela maturidade na condução do PED. Desejo boa sorte ao Roberto Tejadas, novo presidente do PT, na condução de nosso partido nos próximos dois anos. Ao Jairo Jorge, companheiro de longa data, quero dizer que estarei aí para sua posse como novo prefeito de Canoas.

27 de nov de 2007

A Batalha dos Aflitos


DOIS ANOS DA BATALHA DOS AFLITOS

Uma façanha do imortal tricolor!

Nesta segunda-feira, dia 26/11, o Grêmio comemorou dois anos da inesquecível "Batalha dos Aflitos".
A dramática vitória contra o Náutico em 2005 que trouxe o Grêmio de volta à elite do futebol brasileiro no ano seguinte. Uma das maiores passagens da história do futebol brasileiro que é lembrada até hoje e será lembrada para sempre como sinônimo de superação, entrega e imortalidade. Só quem viveu de perto aquele 26 de novembro de 2005 pode dimensionar a importância da façanha obtida pelo Grêmio principalmente da forma como ela ocorreu.

Não há na história do futebol mundial o registro de uma reviravolta de um quadro negativo tão dramática como foi aquele Náutico e Grêmio. Não há gremista no mundo que não tenha chegado às lágrimas acompanhando o desfecho daquele jogo recheado de dramaticidade com um certo toque de crueldade até. Uma partida que colocou em prova a resistência emocional de uma torcida acostumada com as vitórias heróicas, mas que vinha de um período de amargura e humilhação. Uma partida que, acima de tudo, colocou em prova a fé de uma Nação. Uma Nação que, independente do credo ou religião, procurou na sua fé a força para empurrar o Grêmio de volta ao caminho das vitórias. Naquela tarde estava com meu filho Marcos no Bar do Graxaim, na Vila Ideal, em Canoas, um reduto de gremistas de fé. Quando tudo parecia perdido, Galatto defende o pênalti e logo em seguida o Grêmio faz 1 x 0, era final de jogo, 35 mil torcedores calados, incrédulos. Fomos à loucura! Portanto, comemore torcedor! Este dia está marcado para sempre na história do Grêmio e do futebol, e você também é responsável por isso. Parabéns Nação Tricolor!


26 de nov de 2007

Caminhando para o centro: uma análise da conjuntura interna do Partido dos Trabalhadores no Processo de Eleições Diretas de 2007

Desde 2001, o Partido dos Trabalhadores escolhe seus dirigentes de todos os níveis (nacional, regional, municipal e, onde existe, zonal) através de um mecanismo intitulado “Processo de Eleições Diretas” (PED), previsto no seu novo estatuto de 2001.

O PED trata-se de uma ampla eleição interna, da qual participam todos os filiados, seguindo o princípio democrático-liberal de “cada pessoa, um voto”. Em se tratando de um partido de massas, cujo número de filiados está em torno do primeiro milhão, o PED acaba envolvendo centenas de milhares de pessoas, após uma campanha eleitoral que costuma durar dois meses. No PED de 2005, o segundo da história do partido, aproximadamente 315 mil petistas – devidamente em dia com suas obrigações financeiras junto ao partido - compareceram às urnas. Disputam o PED as diversas frações (SARTORI, 1982) do PT (ou “tendências”, conforme o linguajar petista), que têm direito a inscrever chapa para os quatro níveis, e concorrem em um sistema eleitoral que combina a maioria absoluta (para escolha dos presidentes das instâncias) e a proporcionalidade (para a definição dos membros dos diversos diretórios).

Assim, o PT adota um regime presidencialista onde o presidente do partido governa em conjunto com o seu respectivo diretório e, se sua fração não detiver maioria absoluta no mesmo, terá que formar uma coalizão com outras forças partidárias com participação na instância. Exemplar da aplicação desta esta regra foi o período no qual José Dirceu esteve à frente da presidência nacional do PT. Dirceu era apoiado por um conjunto de frações que tinham a maioria absoluta do diretório nacional, e passaram a atuar em conjunto sob o nome de “Campo Majoritário”. Por outro lado, a incapacidade de formação destas coalizões partidárias - situação já observada em diversos diretórios estaduais e municipais do partido - inviabiliza ou, ao menos, dificulta sua governabilidade. Assim, estes traços de democracia consociativa (LIJPHART, 2003), derivados do seu próprio caráter pluralista[1], aproximam o sistema político do PT da definição de “presidencialismo de coalizão” (ABRANCHES, 1988), originalmente adotada por Sérgio Abranches para tratar do funcionamento do presidencialismo brasileiro em ambiente de democracia.

Os três PEDs realizados pelo PT têm, cada qual, uma marca particular, por terem ocorrido em momentos decisivos na história partidária. O primeiro, de 2001, ao reeleger José Dirceu presidente nacional – pela primeira vez, pela via direta - e formar uma ampla maioria do diretório nacional para o antigo “Campo Majoritário”, foi decisivo para os rumos assumidos na campanha eleitoral de Lula à Presidência da República, em 2002. Com isso, abriu-se caminho para que o PT fizesse inflexões táticas, como a aliança com o PL, e ideológicas, como a “Carta aos Brasileiros”, apresentada por Lula no início da campanha eleitoral, marcando compromisso partidário definitivo com a estabilidade da economia e o respeito aos contratos. Estes dois movimentos foram decisivos para que Lula acumulasse condições para se eleger em 2002.

O segundo PED realizou-se em 2005, no momento em que o PT enfrentava a mais grave crise política da sua história, com as denúncias do “mensalão” envolvendo dirigentes partidários, parlamentares e integrantes do alto escalão do governo Lula. Mesmo que tais denúncias ainda hoje careçam de provas e de julgamento definitivos, seu impacto sob a opinião pública interna e externa ao PT foi enorme. O PED daquele ano foi fundamental para o PT superar esta crise, e não só pelo alto envolvimento da militância, que compareceu em grande número para votar, dando um novo gás ao partido. O resultado das urnas foi outro elemento importante, pois se reconfigurou a correlação de forças no partido, acabando com a hegemonia isolada do “Campo Majoritário”[2] e aumentando o espaço das frações mais à “esquerda” (como a “Articulação de Esquerda – AE” e a “Democracia Socialista – DS”) e ao “centro” (como “Movimento PT – MPT” e “PT de Luta e de Massas – PTLM”) do espectro partidário.

Esta nova configuração de forças obrigou o diretório nacional do PT a funcionar de forma mais consociada, oposta ao anterior hegemonismo. Na prática, isso serviu para democratizar mais as relações internas de poder. Exemplar foi o XIII Encontro Nacional, realizado em 2006 em São Paulo, onde as resoluções aprovadas foram apresentadas em conjunto pelas principais forças partidárias, representantes da “esquerda”, do “centro” e da “direita” petistas[3] – fato, até então, inédito na história do PT.

O PED de 2007 é o primeiro após a reeleição de Lula, em 2006. Superados os efeitos mais devastadores da crise do “mensalão”; recomposto um consenso interno em torno dos temas econômicos tradicionais do PT, mais identificados com o chamado “desenvolvimentismo”[4] e; desfeita a onda faccionista que marcou o primeiro governo Lula, que resultou em diversas baixas partidárias, o PT vive agora o dilema de construir uma candidatura própria a presidente em 2010[5], já que Lula não pode ser mais candidato. A solução deste dilema é fundamental para a institucionalização do PT como partido nacional (HUNTINGTON, 1975; MAINWARING & SCULLY, 1995 e MAINWARING, 2001), capaz de eleger um Presidente da República, mesmo sem dispor da liderança carismática de Lula, que foi o candidato do PT em todas as eleições presidenciais desde 1989[6].

Consideradas estas variáveis, a observação da composição das chapas apresentadas para o diretório nacional do PT neste PED de 2007, atentando-se para as alianças feitas entre diversas frações partidárias e comparando-se com o PED de 2005, constitui-se num bom exercício para se compreender a nova feição do PT após o início do governo Lula. Mas serve também para perceber, empiricamente, a razão instrumental que orienta os jogos de poder desenvolvidos pelos diversos atores políticos internos ao PT. Tais atores agem motivados por razões ideológicas, sem dúvida, mas, principalmente, pela busca de maximização dos seus espaços de poder no partido, considerados os elementos institucionais e conjunturais nos quais se desenrola a disputa. Mais ainda, podemos perceber como o PT funciona como um sistema político próprio, o que é definidor da atuação das suas frações (SARTORI, 1982; PANEBIANCO, 2005).

A primeira constatação: depois do início do governo Lula, diminuiu o espaço da esquerda e da direita partidárias, e aumentou o espaço para uma composição interna de poder mais orientada para o centro.

No PED de 2005, apresentaram chapa as seguintes frações de esquerda: O Trabalho; Articulação de Esquerda – AE (apoiada por outros grupos regionais, como a Esquerda Democrática, do deputado federal gaúcho Henrique Fontana, e pelo prefeito de Recife, João Paulo) e; Democracia Socialista – DS (igualmente apoiada pela fração Tendência Marxista – TM e por grupos regionais, como Construção: democracia e socialismo, do DF, dentre outros). Além dessas, outras chapas se identificavam com a esquerda petista, como a chapa “Movimento Popular” (liderada pelo dirigente da Central de Movimentos Populares, Luiz Gonzaga “Gegê”) e a chapa “Esperança Militante”, do candidato a presidente nacional Plínio de Arruda Sampaio, apoiada por independentes (como o deputado federal carioca Chico Alencar) e pelas frações Ação Popular Socialista – APS e Brasil Socialista - BS, do líder sem-terra Bruno Maranhão, dentre outros. Duas frações de centro apresentaram chapa, o Movimento PT e o PT de Luta e de Massas, além da chapa independente e centrista – apesar de muito próxima ao Campo Majoritário – “O partido que muda o Brasil”, formada quase integralmente por militantes mineiros. Por fim, o então Campo Majoritário, ocupando a posição à direita do espectro partidário, apresentou sua chapa própria “Construindo o novo Brasil”.

Juntas, as chapas de esquerda atingiram 36,8% dos votos válidos (equivalentes a 30 vagas no diretório nacional), somados aos 20,4% (16 vagas) dos centristas e aos 41,9% (34 vagas) do Campo Majoritário. Os restantes 0,9% dos votos válidos foram para uma chapa independente composta apenas por petistas do Ceará, “O Brasil agarra você” (1 vaga). Com tal distribuição de vagas, é inevitável que qualquer postura hegemonista de exercício do poder seja substituída por práticas consociadas, já que nenhuma das frações petistas consegue maioria do diretório sem disposição de negociar com outras forças partidárias. Entretanto, de lá para cá, a correlação de forças mudou no PT.

O primeiro movimento se deu logo após o PED de 2005, quando houve uma debandada de militantes petistas à esquerda, principalmente identificados com a DS e a chapa “Esperança Militante”. A fração Ação Popular Socialista – APS e seus companheiros de chapa Plínio de Arruda Sampaio e Chico Alencar, avaliando que a hegemonia do Campo Majoritário tinha sido mantida, decidiram abandonar o PT, filiando-se rapidamente ao ultra-esquerdista PSOL, para cumprirem o calendário eleitoral[7]. Mas a principal transformação na esquerda petista se deu em princípios de 2007, envolvendo a maior fração de esquerda do PT, a Democracia Socialista, DS.

Após incorporar pequenos grupos regionais[8] que lhe apoiaram no PED de 2005, a DS aproximou-se do centro petista. Junto a alguns militantes independentes, como Paul Singer, o deputado José Eduardo Cardoso, os ministros Tarso Genro e Fernando Haddad, e até a petistas tradicionalmente vinculados ao Campo Majoritário, como o prefeito de Guarulhos Elói Pietá, o senador Eduardo Suplicy e o governador de Sergipe Marcelo Deda, a DS apresentou ao III Congresso do PT a tese “Mensagem ao partido”. A “Mensagem”, ressaltando a necessidade de um resgate da “ética” no PT, tomou para si temáticas ideológicas que, no PT, sempre foram caras ao Campo Majoritário, como o papel da “revolução democrática” e do “republicanismo” para a construção da sociedade socialista. Tais temáticas, mais próximas da cultura política da esquerda democrática ou social-democrata, são certamente estranhas à tradição à qual a DS originalmente se identificava, o trotskismo[9]. É outra a compreensão dos marxistas revolucionários sobre o processo de revolução socialista. Com esse discurso, a “Mensagem” acabou recebendo adesão de importantes intelectuais petistas, como a filósofa Marilena Chauí e a cientista política Maria Victória Benevides.

O afastamento dos militantes mais radicais da DS, a partir de 2003 – como a ex-senadora Heloísa Helena, atual presidente do PSOL, e o economista João Machado - foi fundamental para esta sua aproximação com o centro partidário. Agora, estão à frente da DS, principalmente, petistas gaúchos, como Raul Pont e Miguel Rosseto, e mineiros, como o cientista político Juarez Guimarães, além do eterno dirigente nacional Joaquim Soriano, pessoas que, talvez pela sua experiência de “socialização política” (PUTNAM, 1998) na gestão pública e partidária, tenham sido levados a assumir um perfil mais moderado e pragmático. Logo após o encerramento do III Congresso, a “Mensagem” lançou um documento afirmando sua intenção de “se constituir enquanto movimento permanente dentro do PT”[10]. Esta intenção imediatamente se constituiu numa implicação prática, o lançamento de uma chapa da “Mensagem” ao PED de 2007, junto com a candidatura do deputado paulista José Eduardo Cardozo à presidência nacional do PT.

Se a participação da DS neste processo pode implicar, em se tratando das disputas intra-partidárias, na sua diluição dentro da “Mensagem”, em termos ideológicos, evidencia o caminhar desta fração para o centro partidário. Em entrevista ao blog do jornalista Josias de Souza, Tarso Genro, um dos principais artífices da “Mensagem”, assim respondeu ao ser questionado sobre os objetivos do seu novo grupo: “Nossa idéia é criar um novo espaço de diálogo no PT, que supere a dicotomia que preside as relações internas. Hoje, ou você é considerado uma pessoa da direita ou é da chamada esquerda do partido. Essa visão é equivocada. Não resolve as grandes questões partidárias e políticas que temos que enfrentar.”[11] Há tempos, o objetivo de Tarso Genro para dentro do PT é construir uma grande fração de centro – sob a sua liderança político-intelectual –, que sirva de pólo de atração para petistas de origens diversas do espectro ideológico. Foi movido por este mesmo espírito que Tarso Genro ajudou a fundar o “Movimento PT”, justamente às vésperas do II Congresso partidário, em 1999, fração da qual se afastou depois do governo Lula. O que é novo é a DS, cuja identidade sempre esteve ligada à afirmação do caráter de esquerda e socialista do PT, se incorporar em uma iniciativa de natureza centrista - e esta é a primeira grande novidade do PT em 2007.

Assumindo um discurso à esquerda no PT, assim, restam a Articulação de Esquerda, pequenos grupos, como BS, TM e O Trabalho, além de outros ainda menores e com pouca penetração nacional, como a Esquerda Marxista[12], dissidência de O Trabalho, com base principalmente em São Paulo – seguindo a tradição da ultra-esquerda, o racha se deu entre duas das menores frações do partido. Destas, O Trabalho e a Esquerda Marxista seguramente estão no campo da ultra-esquerda, ligadas a uma vertente mais radicalizada do trotskismo internacional, a QI-CIR (Quarta Internacional – Centro Internacional de Reconstrução), fundada pelo francês Pierre Lambert (SILVA, 2001). Sua proposta é a de resgatar o manifesto de fundação do PT, na defesa de um PT “sem patrões” e de uma plataforma socialista clássica, pautada pela extinção da propriedade privada dos meios de produção. Se a presença dos trotskistas é uma das marcas do PT desde antes da sua fundação, no final dos anos 1970, é certo que sua influência sobre os rumos finais do partido sempre foi limitada. A exceção é a DS, o mais moderado dos grupos trotskistas do PT, que em alguns momentos da história do partido assumiu uma postura dirigente. Agora, que boa parte dos trotskistas saiu do PT para partidos como PSTU, PCO e PSOL, sua participação no partido é mínima, e o poder de influir quase nulo.

A mais importante fração de esquerda do PT, atualmente, é a Articulação de Esquerda. A AE surgiu de um racha minoritário da antiga Articulação (principal corrente moderada do PT nos anos 1980, berço da maioria dos sindicalistas petistas, atualmente se chama “Articulação Unidade na Luta”, e faz parte do CNB), às vésperas das eleições presidenciais de 1994. Àquela época, as lideranças que fundaram a AE opunham-se à aproximação do PT com o PSDB, então um partido de centro-esquerda, ainda distante da aliança com o PFL que elegeu Fernando Henrique Cardoso em 1994. Hoje, a AE assume um discurso e uma forma de organização interna marxista-leninista, apesar de se dizer anti-stalinista. Temáticas como “revolução socialista”, “centralismo democrático”, a defesa de Cuba e os 90 anos da Revolução Russa fazem parte do seu discurso cotidiano.

Há de se considerar, entretanto, que a prática política da AE – sobretudo em estados onde ela tem maioria, como Santa Catarina – é tão pragmática quanto as suas congêneres centristas. Neste estado, no segundo turno das eleições de 2006, a AE não duvidou em referendar o apoio dos petistas à candidatura de Esperidião Amin, do PP, tradicional político de direita brasileiro. Diversamente, a ultra-esquerda do PT se opõe a tais alianças. Ao contrário das correntes mais radicalizadas da esquerda petista, e em semelhança à DS, a AE nunca se esquivou de participar do governo Lula – é da AE o ex-ministro da Pesca, José Fritsch. Sua permanência no PT em 2005, junto com a DS, quando outras importantes frações da esquerda petista abandonavam as hostes partidárias, foi fundamental para que o PT superasse a crise política daquele ano. Com a DS, o CNB e o MPT, a AE construiu a prática consociada que marcou a atual direção nacional e o XIII Encontro Nacional do PT. Talvez uma boa caracterização da posição da AE seja a expressão usada por Panebianco (2005) para definir a postura de boa parte dos partidos comunistas nas democracias ocidentais do século XX: “radicalismo verbal”.

Numericamente, a AE também é importante no PT, e seu candidato a presidente nacional, Valter Pomar, não disputou o 2º turno do PED de 2005 por apenas algumas centenas de votos[13]. No PED de 2007, também apóiam Valter Pomar e participam da sua chapa para o diretório nacional “A esperança é vermelha” as frações BS e TM[14]. Por outro lado, diversas lideranças da esquerda petista que apoiaram Valter Pomar e participaram da chapa da AE em 2005, hoje, estão ao lado de outras forças partidárias – principalmente, da “Mensagem” –, como a Esquerda Democrática, do deputado federal gaúcho Henrique Fontana, e o prefeito de Recife, João Paulo, importante liderança no PT do seu estado.

Um apoio decisivo à candidatura de Valter Pomar em 2005 foi do PTLM, fração do centro petista, de base na Grande São Paulo, liderada por diversos petistas da família Tatto. Juntos, os irmãos paulistanos Enio Tatto (deputado estadual), Arselino Tatto (vereador em São Paulo) e Jilmar Tatto (deputado federal), politicamente ligados à ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy, atual Ministra do Turismo, controlam grande número de filiados no PT na Grande São Paulo e têm peso decisivo no PED. O apoio do PTLM – que lançou chapa ao diretório nacional em 2005 – à candidatura de Pomar no PED passado é mais uma evidência do pragmatismo da AE.

No PED de 2007, o PTLM juntou-se ao MPT e a uma nova fração, surgida em 2006, chamada Novos Rumos – NR, formada principalmente por deputados paulistas, com larga história no partido, e também ligados à ministra Marta Suplicy. Dentre estes, destacamos Rui Falcão, Devanir Ribeiro, Cândido Vaccareza e José Mentor. Estas três frações lançaram uma chapa unificada ao diretório nacional, chamada “Partido é para lutar”, e apresentaram a candidatura de Jilmar Tatto à presidência nacional. Esta é a outra grande novidade do PT em 2007, e representa mais um fortalecimento do centro petista. Pela primeira vez na história do partido, uma chapa autenticamente de centro apresenta um candidato a presidente nacional do PT com condições reais de vitória[15].

Alguns fatores aqui devem ser destacados. Primeiro, a retirada do apoio - dado em 2005 – do PTLM a Valter Pomar[16], enfraquecendo, assim, a principal candidatura da esquerda petista em 2007. O apoio do PTLM a Pomar foi decisivo para o desempenho da sua candidatura no 1º turno de 2005. Além do mais, apesar deste apoio inicial a um candidato da esquerda petista, o PTLM apoiou Ricardo Berzoini no 2º turno, também aí desempenhando um papel fundamental para a sua vitória. É de se lembrar que Berzoini foi eleito no 2º turno com apenas 51,6% dos votos válidos.

Segundo, a criação do NR a partir de um racha do CNB. Apesar das discussões ideológicas, esta ruptura se deu, sobretudo, após a maioria do CNB paulista ter apoiado o senador Aloísio Mercadante, nas prévias em que ele disputou a candidatura do PT ao governo do estado contra Marta Suplicy, em 2006. Assim como no caso do PTLM, é grande a influência do NR junto aos petistas de São Paulo. Ou seja, as candidaturas da esquerda – Valter Pomar – e da direita – Ricardo Berzoini – petistas ao PED de 2007 sofreram baixas importantes com esta aliança de frações centristas em torno da candidatura de Jilmar Tatto.

Por fim, destaco uma curiosidade histórica. As principais lideranças do NR, junto com Arlindo Chinaglia, estiveram à frente do racha da antiga Articulação, em 1993, que deu origem à esquerdista AE. É emblemático para a compreensão da história do PT que todos estes personagens se encontrem, agora, em uma chapa do centro petista.

É claro, assim, o aumento de importância do centro petista na definição dos rumos do partido, após o início do governo Lula. O PED de 2005 e o III Congresso do PT confirmar este crescimento. Curiosamente, a principal implicação ideológica deste crescimento foi que o PT precisou fazer uma inflexão ideológica à esquerda, se comparado com os dois primeiros anos do governo Lula. Naquele período, o Campo Majoritário dirigia, inconteste, os rumos do partido, colhendo ainda os frutos do PED de 2001. Assim, a partir de 2005, mais resoluções do PT – sejam do diretório nacional, ou do XIII Congresso – passaram a criticar a condução da política macro-econômica do governo federal, sob o comando da dupla Antônio Palocci, no Ministério da Fazenda, e Henrique Meirelles, do Banco Central, caracterizando-a como excessivamente ortodoxa. Após março de 2006, com a saída de Antônio Palocci da Fazenda, assumiu o ministério Guido Mantega, que vem reduzindo o grau de ortodoxia econômica do governo, sobretudo pela visível ampliação dos gastos públicos. Na contramão da ortodoxia, o PAC – Plano de Aceleração do Crescimento – apresentado pelo governo federal no início de 2007, prevê uma progressiva redução anual na produção de superávits fiscais e nas taxas de juros, além de um crescimento do PIB impulsionado pelos investimentos públicos.

No III Congresso do PT, o CNB conquistou uma maioria frágil, precisando igualmente dialogar com as outras frações do partido – principalmente, com as três correntes de centro que apóiam a candidatura de Jilmar Tatto. Neste Congresso, o PT reafirmou sua condição de partido socialista democrático, postura que foi defendida, inclusive, pelos membros do CNB. Se é certo que o “socialismo petista” em nada se aproxima aos cânones da tradição revolucionária marxista, a reafirmação do socialismo é pouco usual nos partidos da esquerda democrática contemporâneos. A inflexão à esquerda vem ocorrendo, assim, justamente no momento em que as frações de ultra-esquerda abandonaram o PT, acusando-o de ter se tornado “centrista”!

Particularmente, não considero que o PT tenha se tornado um partido de centro. Se, nos últimos anos, ele se aproximou do centro, abandonando as posições mais extremadas de esquerda que lhe caracterizaram nos seus primeiros anos, isto não lhe faz um partido de centro. Tal aproximação não levou o PT a se afastar dos ideais igualitários e solitários que caracterizam a esquerda, como diria Bobbio (2001). Mais do que isso, não apenas o PT, como o governo Lula, têm sido marcados – particularmente após a queda de Palocci do Ministério da Fazenda – pela crença no papel positivo do Estado para as políticas de desenvolvimento e de distribuição de renda. No plano internacional, a política do governo Lula prioriza a aproximação dos países “em desenvolvimento”, recusando a lógica leonina do “livre mercado” proposto pelos EUA e pela União Européia ao Brasil e ao Mercosul. Estes não podem ser considerados traços distintivos do neoliberalismo, a principal ideologia da direita contemporânea. No plano da cultura e do comportamento, o PT e o governo Lula são marcados pela sua postura liberal – por exemplo, em temáticas como o aborto, os direitos dos homossexuais e a popularização de novos métodos contraceptivos, como a “pílula do dia seguinte” –, mais uma vez em oposição ao conservadorismo de direita. Se é verdade que segmentos do PT parecem ter se encantado com a agenda neoliberal nos primeiros anos do governo Lula, a reação do partido foi rápida, e o PT, como vimos, reassumiu sua original postura social-desenvolvimentista.

Arriscando-me a usar uma expressão que pode ser ambígua, eu diria que o PT é um partido da “esquerda possível”, realista e pragmática, comprometida com os marcos da democracia-liberal, mas também com a diminuição das desigualdades. Por isso mesmo, afastada da ultra-esquerda, mas igualmente distante da direita. No que não está sozinho, considerando-se a história recente da esquerda. Pelo contrário, o PT compartilha esta posição com a maior parte dos grandes partidos de massas da esquerda democrática contemporânea que, particularmente após a crise da esquerda no final dos anos 1980, mudaram de posição, mas sem mudar de lado.

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[1] O PT marca-se pela institucionalização de diversas frações partidárias, dos mais diversos matizes de esquerda. Mas a dimensão regional também pesa na hora de se costurarem os acordos nacionais de divisão do poder interno, o que é compreensível em se tratando de um partido político de um país federalista como o Brasil.

[2] O Campo Majoritário mudou de nome, chamando-se agora “Construindo um Novo Brasil - CNB”, já que não era mais majoritário, mesmo que tenha elegido o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini

[3] Ressalvo que as definições de “esquerda”, “centro” e “direita” do PT não trazem nenhum juízo de valor. Apenas me aproprio da conformação ideológica das frações que é tradicional ao próprio PT. A partir deste momento, estas definições não vão mais vir entre aspas.

[4] As resoluções do XIII Encontro do PT e as teses apresentadas pelas diversas frações ao III Congresso do PT, em 2007, são uníssonas em criticar, com maior ou menor rigor, a condução excessivamente ortodoxa da macro-economia que orientou a primeira fase do primeiro governo Lula, quando Antônio Palocci esteve à frente do Ministério da Fazenda. Assim, estes documentos fazem coro com personalidades de destaque do segundo governo Lula, como Luciano Coutinho do BNDES, Márcio Pochmann do IPEA e o próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega.

[5] O lançamento de uma candidatura presidencial petista em 2010, rejeitando-se o apoio a um candidato de outro partido da base aliada do governo Lula, é outro elemento unificador das diversas frações petistas.

[6] Na verdade, este é o último teste que o PT precisa superar para se consolidar como partido nacional. Em se tratando do legislativo, dos governos estaduais e das prefeituras, além do número de diretórios estaduais e municipais, o PT é um dos partidos brasileiros com maior grau de nacionalização, talvez ficando atrás apenas de partidos como PMDB e DEM/PFL que, por serem herdeiros diretos do MDB e da ARENA, respectivamente, encontram-se em situação privilegiada nesta matéria já desde os primeiros momentos da redemocratização.

[7] Quem quisesse disputar as eleições de 2006 precisava estar filiado a um partido político ao menos em 01 de outubro de 2005.

[8] Além do já citado Construção: Democracia e Socialismo, juntaram-se à DS os grupos Alternativa Socialista e Movimento Socialista.

[9] A DS é considerada a “seção brasileira” do Secretariado Unificado da IV Internacional (SU), uma facção mais moderada do movimento trotskista, identificada com o falecido economista belga Ernest Mandel. No final de 2005, a DS aprovou resolução de afastamento do SU, por desabonar o que considerou uma “intromissão indevida” desta organização internacional em uma questão interna sua. Pouco antes, o SU havia aprovado uma resolução que recomendava a DS a se afastar do governo Lula, se juntando aos dissidentes do PSOL.

[10]“O Congresso terminou; a luta continua!”. Capturado do sitio da “Mensagem ao Partido” na internet em 02 de setembro de 2007, no link http://www.mensagemaopartido.org.br/conteudos/exibe/63

[11] Blog de Josias de Souza. “Para Tarso, PT não tem como fugir do debate ético”. 04/02/2007. Disponível no site http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/entrevistas/arch2007-02-04_2007-02-10.html

[12] Há ainda uma série grande de grupos regionais, muito difícil de ser mapeada. Estamos nos pautando pelas principais frações que apresentaram teses ao III Congresso Nacional do PT.

[13] Os dois candidatos a presidente nacional do PT mais votados no PED de 2005 foram Ricardo Berzoini, do CNB, e Raul Pont, da DS, respectivamente. Berzoini se sagrou vencedor no 2º turno, com 51,6% dos votos, contra 48% de Pont.

[14] Agradeço as informações que me foram prestadas, por e-mail de 23 de outubro de 2007, pelo sempre atencioso Valter Pomar.

[15] Entretanto, outras motivações mais pragmáticas do que ideológicas também serviram de impulso para esta aliança. Para além do PT nacional, o que está em jogo também é a disputa do futuro do PT de São Paulo. Mais do que uma aliança de frações nacionais do centro petista, observa-se aqui um acordo entre dois grupos controlados por petistas paulistas ligados a Marta Suplicy (PTLM e NR) e o MPT, que tem entre suas principais lideranças o paulista Arlindo Chinaglia, atual presidente da Câmara dos Deputados. Tanto Marta como Chinaglia são tidos como candidatos naturais às eleições de 2008 e 2010 em São Paulo (capital e estado), e a costura de um eventual acordo pode ser muito interessante para os dois.

[16] Por causa do apoio do PTLM, a candidatura de Valter Pomar foi acusada pelas demais frações da esquerda petista - principalmente a DS e a APS, então no PT - de ser o “plano B” do Campo Majoritário no PED de 2005. O principal motivo para esta acusação era a ligação do PTLM com Marta Suplicy, então integrante do Campo Majoritário.


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SILVA Antônio Ozaí da. O PT e os marxismos da tradição trotskista. Revista Espaço Acadêmico. Nº 00. Maio de 2001. Acessado em 23 de outubro de 2007

Fonte: Revista Espaço Acadêmico - www.espacoacademico.com.br

O autor:

Rodrigo Freire de Carvalho e Silva é Professor Assistente de Ciência Política (UFPB). Mestre em Ciência Política (UFPE). Doutorando em Ciências Sociais - Estudos comparados das Américas (Unb) e escreve para a Revista Espaço Acadêmico.


Comentário do Blog:

Este texto é uma análise que expressa com clareza o atual momento do nosso partido. Resgata um pouco da nossa história e coloca o PT como sendo o partido da “esquerda possível”. É mais uma contribuição para o debate. Boa luta!