13 de dez de 2007

Prostituição infanto-juvenil: o que os pais têm haver com isso? Ou: Quem educa nossos filhos?!?

Luciana Vieira*

O texto de hoje é apenas um lançar de idéias, meio ansioso e muito preocupado... Uma tentativa de levar à reflexão, quiçá à discussão, de nossa sociedade cruel e consumista e da educação que estamos oferecendo a nossos filhos. Filhos que devíamos proteger, cuidar, ensinar... Filhos que deveriam mais que ter, ser... Ser valorizados, acarinhados, criados para o mundo lá fora (de nossas asas)...

A pergunta é: Diante de tantas preocupações no patamar social, ecológico, ambiental... Etc e tal.... Que mundos estamos oferecendo para nossos filhos e que filhos estamos oferecendo para o nosso mundo?

Hoje estava discutindo com uma colega, em pleno PED do PT (sim, eu sou petista, de carteirinha... dá licença!). Falávamos sobre a educação de nossos filhos e do mundo hoje, sobre a lastimável fome de consumo a que nossos filhos (e jovens de todo o mundo) são conduzidos...

Estive lembrando de críticas que fiz a educação de um adolescente próximo. Menino ávido por roupas de marca, coisas caras, etc... E totalmente desprovido de valores humanos e ignorante sobre o seu valor enquanto pessoa. Um menino que é apenas mais um, no meio de tantos, a perder seu tempo com coisas que na verdade, não tem valor algum... Iludido com promessas de pais que não souberam colocá-lo no lugar devido... O de filho.

Veio-me uma pergunta à mente: Quando foi que começamos a prostituir nossos jovens? Sim, porque os pais vêm prostituindo seus filhos quando os vêem em plena febre consumista e não buscam a cura. Deixam seus filhos relegados a uma mídia que impregna suas mentes, que os faz ser apenas o que vestem, o que calçam, o que consomem... Seres sem conteúdo...

Essa minha amiga estava me contando sobre uma conhecida, que pagava para a filha freqüentar uma academia. Dizia ela: "Não está linda minha filha? Vai arrumar um marido rico!!"
Fiquei de boca aberta!! Com que ingenuidade ou ignorância uma mãe se coloca a dizer que a filha nada mais é do que um objeto a ser vendido? (Sim, porque é isso que ela se torna. Um pedaço de carne exposto a ser leiloado. Quem pagar mais, leva...)

Onde foi parar a valorização pelo mérito de conseguir galgar degraus por si mesmos? "Ahhh! Ela não tem capacidade, tem que se virar..." Pois é... O objetivo do "casamento rico", "do jeitinho", "do se virar"... E até lá, por quantas passarão, no ímpeto de "fazer qualquer coisa" para alcançar objetivos tão baixos? Isso me faz lembrar que a incidência do vírus HIV tem aumentado entre as meninas na proporção de 3 ou 4 meninas para cada menino, segundo uma reportagem que vi. Nessa mesma reportagem uma menina de uma comunidade qualquer dizia: "Eu transo sem camisinha com meu namorado porque senão ele arruma outra". Como se ele, para ser o "macho" não fosse fazer a mesma proposta a outra menina qualquer (ou a mais 2, conforme pesquisa). Aliás, não podemos esquecer que em muitas comunidades o "casamento rico" se traduz no poder se vestir, se alimentar, ser protegida pela "elite" da comunidade: o tráfico.

Muitos pais vêm "esquecendo" de valorizar a capacidade de nossos jovens, de dizer que podem ser aquilo que quiserem. Que podem mudar o mundo... E mais: podem ser felizes muito mais por suas realizações do que por ter a camisa X ou o tênis Y... Fica mais fácil comprar a camisa e o tênis...

Vejo nossos jovens expostos à vida lá fora, sem qualquer proteção, achando que por estar "tão bonitinho com a roupa nova" (que custou metade da renda da família, se não mais) vão conseguir um bom emprego, num local de trabalho ideal...

Queremos tornar nossos filhos diferentes, primeiros, invejáveis... E os tornamos meros castiçais adornados com a ignorância, com a desvalorização do seu eu... Só porque tem um loiro na televisão que por ser "um gatinho" mesmo falando errado, conseguiu um contrato com salário alto naquela transmissora de televisão... Esquecem de fazer a conta: ele é um em 65 milhões...

Mas onde está o erro? Nos pais que superprotegem seus filhos, livrando-os de toda e qualquer dificuldade, facilitando excessivamente o acesso a bens materiais, alimentando a fome de consumo com a velha desculpa do "eu quero dar ao meu filho tudo que não pude ter"? Ou nos jovens que vão se acostumando a ter tudo fácil, que se tornam cada dia mais exigentes... Até que um dia... Seus pais não podem mais dar... E aí...

Aí é a vida que vai ter que dar um basta, um limite... E este pode ser definitivo...

02/12/2007

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* Luciana Vieira é socióloga e diretora do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro
Blog: Enluaradas

Um comentário:

Fernando disse...

Oi Lu, Gerson, Prazer...
Creio q hj não esteja tão bem pra postar, mas vamos lá, rs...


A educação ainda é o berço da humanidade, e isso não quer implicar que familia alfa tenha um filho muito melhor educado que familia omega.
Educação é algo que se aprende no dia a dia, palavras que abrem portas como :Com Licença, Por Favor, Obrigado, são cada dia menos pronunciadas.
A velha estória de dar o q não tive deve ter sim limites, pois é na falta que se dá o devido valor.
Talvez eu sejá a moda antiga, mas creio que no meu tempo a conquista por algo ou por alguém era bem mais prazerosa que hoje em dia. daí nos leva a crer que nessa "Libertinagem" embutida de Liberdade perdem-se os verdadeiros valores sobre poder e fazer.
Esporte é saudavel para os jovens, desde que não se torne obcecados p/ busca de um corpo perfeito, deveriamos lembrar sempre que o que nos difere dos outros animais é exatamente a inteligencia e o raciocinio.
Mas quando vemos isso na midia, tv por exmplo, Malhação um programa jovem mostra que os jovens devem seguir exemplo tal, por que é o que a TV mostra, mas isso não condiz com a realidade nacional.
Daí vem a pergunta : O que fazer diante de tudo isso?
Te respondo: Vou continuar ensinando aos meus filhos, a educação que recebi de meus pais, e estes dos seus pais...etc, e sem medo de errar, sabe por que???
Sou Brasileiro, Não Desisto Nunca.
Bjs Lu, Gerson, Abração...
Prazer postar aqui...