12 de dez de 2010

A infoguerra já tem seu primeiro wiki-mártir?


A infoguerra já tem seu primeiro wiki-mártir?


Julian Assange, fundador do WikiLeaks, virou provavelmente o primeiro homem caçado pela Interpol por não ter usado camisinha

10/12/2010

Há uma semana, na sexta-feira dia 3 de dezembro, a organização WikiLeaks sofria o mais duro golpe desde que começara a publicar em seu site os segredos – uns inconfessáveis, outros não tão secretos assim – da diplomacia norte-americana.

Naquele dia, o WikiLeaks, o site, chegou a ficar seis horas fora do ar por ação de hackers que, das duas, uma: ou gostam muito de guardar os segredos alheios ou foram recrutados pelos EUA a peso de ouro. A ação, ou melhor, a ciber-reação contra o WikiLeaks foi tão pesada que o site teve que mudar de endereço para voltar a estar disponível na web com todas as suas… altas indiscrições, por assim dizer.

No calor daquela queda de braço à distância, sem músculos, punhos cerrados ou olho no olho, mais precisamente às 7:32h daquele 3 de dezembro, um velho guru da internet (se é que os gurus da internet podem ser tão velhos assim) cantou a pedra sobre o que estava acontecendo no mundo exatamente naquele momento.

John Perry Barlow escreveu a seguinte mensagem em sua página no Twitter: “A primeira infoguerra pra valer já começou. O campo de batalha é o WikiLeaks. Vocês são os soldados”.

E ele tinha razão. Nos dias subsequentes à já célebre tuitada de Barlow, o cerco ao WikiLeaks se fechou: o site foi expulso do servidor norte-americano Amazon, as operadoras de cartão de crédito Visa e Mastercard cancelaram as contas de doações online por onde a organização captava recursos para se manter e, por fim, o fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, entregou-se à polícia em Londres após a emissão pela Interpol de uma ordem internacional de prisão contra ele referente a uma acusação de “crime sexual”.

Matar o mensageiro

O curioso é que a Mastercard e a Visa continuam intermediando o recebimento de doações à Ku Klux Klan (http://www.inquisitr.com/92447/ku-klux-klan-i-okay-wikileaks-is-bad-says-mastercard-and-visa/), famigerada organização racista norte-americana, o que indica que a rejeição das duas operadoras ao WikiLeaks não é propriamente moral.

Além disso, uma das duas amigas que foram à polícia dar queixa contra Assange por ele ter feito sexo com elas sem preservativo – queixa estranhamente prestada só dez dias depois de o “crime” ter acontecido – publicou em janeiro deste ano no seu blog um post intitulado “Sete passos para uma vingança judicial”, um guia sobre como incriminar alguém usando acusações ligadas ao sexo. A autora do manual de vingança sexual é colaboradora de sites financiados pela Usaid, agência do governo dos EUA ligada ao Departamento de Estado norte-americano.

O fato é que o WikiLeaks, hoje, já tem mais de 200 endereços online diferentes para se esquivar dos ataques que vêm sofrendo, bem como seu fundador até pouco tempo atrás não podia dormir duas noites no mesmo endereço físico. Agora, parece ter fixado residência na cadeia.

Com a infoguerra declarada, um dos coletivos de hackers mais temidos do mundo, o Anonymous, usou a tuitada de John Perry Barlow como epígrafe de um manifesto lançado na última quarta-feira, 8, conclamando todos a aderirem à “Operação Vingar Assange”, nem que seja votando para que o fundador do WikiLeaks seja escolhido o “Homem do Ano” pela revista Times.

Em mensagem publicada no WikiLeaks pouco antes de se entregar, Assange reclama da anuência do seu próprio país à perseguição movida pelas potências contra si. Ele diz que o governo da Austrália “está tentando atirar no mensageiro porque não quer que a verdade seja revelada, incluindo informações sobre as suas próprias negociações diplomáticas e políticas”.

Na mesma carta, Assange diz que os políticos “entoam o coro falso” do Departamento de Estado dos EUA: “Você colocará vidas em risco! Segurança nacional! Você colocará em perigo os nossas soldados!”.

Caro leitor,

Você acha que Assange e o WikiLeaks estão tornando o mundo um lugar menos seguro ou prestando um serviço à sociedade?

Como você classificaria Julian Assange: herói, vilão, anti-herói ou mero anarquista?

Em quem você votaria para “Homem do Ano” da revista Times: Assange, Mark Zuckerberg (o fundador do Facebook) ou os 33 mineiros que ficaram presos na mina de San José, no Chile?

Fonte: Opinião e Notícia

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