10 de nov de 2007

O dia do descanço de Deus

Conheci o Adroaldo na década de 90, por conta da sua militância no movimento popular, como vereador e jornalista e também na Administração Popular do PT em Porto Alegre. Marcou-me também suas brilhantes intervenções no Diretório Estadual do PT e seu bom humor. Já conhecia alguns escritos seus, mas foi com agradável surpresa que fiquei sabendo do lançamento do seu primeiro livro, a novela O dia do descanso de Deus, que recebi gentilmente autografado pelo autor. Recomendo a todos, sem dúvida o Adroaldo têm tudo para ser um escritor de destaque no RS.
Abaixo o livro pelo autor:


Às pessoas que lêem

Um dia destes, pouco depois de aprontar esta novela, me deparei com uma discussão ainda pequena sobre o futuro da nossa língua escrita estar cedendo lugar para isto que alguns grupos usam ao se comunicar na internet.
Alguma gente considerando até que aquele será mesmo o dia seguinte.
Quer dizer: o amanhã sem a língua portuguesa.
Pior, sem comunicação das próximas gerações com o que já escrevemos em português até aqui.
Perceba, leitora, perceba, leitor, que vingando aquela hipótese, não teríamos mais as vogais, a acentuação tônica, para ficar no mínimo.
E tente adivinhar em que língua soariam as consoantes.
Não necessita consultar um caingangue, um guarani, um maia, um asteca, um sioux ou um iorubá para saber.
O dia do descanso de Deus é uma novela que se oferece à leitura em Português e tenta ser o mais próxima da língua escrita e falada por estas bandas no milênio passado, antes da ocupação promovida na revolução informatizada, ambientada que está entre os anos 1950 e 1970.
Já foi escrita no século 21, em computador, até com alguma pesquisa pela internet, sim.
Aparece como prova de que a ferramenta não exige uma língua própria, no entanto.
Naquele período também houve uma gíria local, que a língua incorporou e que tonificou a linguagem e mesmo a escrita.
Não foi nem o futuro, nem é passado.
Foi viva e criativa.
Coexistiu em movimento de superação, conservando o melhor da relação entre o novo e o antigo.
O dia do descanso de Deus não é, então, só uma ação de resistência pela Língua Portuguesa.
É também uma experiência minha com você que tem ciência e gosto pela linguagem e vai ler este escrito em qualquer tempo no futuro, em que ambos percebemos não só a importância das vogais, mas a necessidade do efêmero, do perene, do diverso e do comum, do local e do universal.
A novela fala disto também e dos pactos de gente simples sobre amor e honra, ódio e desonestidade.
Que existem no mundo.
É uma novela mundana, do milênio passado, mas contemporânea, que pretende um futuro em companhia dos movimentos da Última Flor do Lácio.
O título não quer polemizar sobre o divino ou o sagrado.
É uma homenagem ao dito popular Deus descansa, o Diabo toma conta, quando aconteceriam as tragédias e desgraças, embora muitos resistam a esta idéia e eu não sou quem as confirme, apenas quem as emprestou do povo.
Sou uma pessoa já muito agradecida à leitura que dedicas a este escrito.
Espero, sinceramente, que tenhas da novela toda uma boa experiência.
Adroaldo Bauer

Um comentário:

Adroaldo Bauer disse...

Gerson,
muito gentil tu.
Agradeço tua amável consideração.
Bom te rever e reler-te.
Um terno abraço.